O Grande Reset – como a vida, os negócios e a liderança mudaram (e ainda vão mudar) como consequência da COVID-19

A vida mudou num ápice. Entre o medo, a crise económica e o distanciamento social, surge uma noção maior de proximidade. O vírus não discrimina, pode apanhar qualquer um de nós: os nossos pais, os nossos filhos, os nossos vizinhos, os nossos amigos. E isso acaba por nos unir. E o paradoxo acontece nos negócios.

 

Por Josh Bersin*

 

Falei com dezenas de líderes e todos estão em modo de crise. Mas à medida que lidam com a sua própria crise no trabalho, estão também a aproximar-se mais das suas pessoas. Como debati recentemente (em “Pessoas Primeiro, Economia Segundo”), a única forma de sobreviver a este vírus é a ter a certeza que os colaboradores estão a salvo. E todos os executivos compreendem: eles próprios podem apanhar o vírus.

Ainda estamos a meio da crise, por tanto o futuro não é claro. Será que isto irá arrastar-se mais uns meses ou teremos uma disrupção médica e económica que durará anos? Independentemente do seu fim, para mim é claro que estamos a meio de um “Grande Reset”, uma nova forma de pensar sobre o trabalho, a vida, os negócios e a liderança. Passo a explicar.

 

Como chegámos aqui
Primeiro, é importante colocar a situação no seu contexto. Terminámos agora uma das décadas de maior crescimento de PIB [Produto Interno Bruto] da história. Após a crise de 2008, passámos por 11 anos de crescimento do PIB e uma década a falar sobre transformação digital, competências e empregos do futuro, e sobre como prosperar num mundo com baixos níveis de desemprego. A bolsa e o mercado laboral explodiram, os CEO ficaram ricos e as empresas geraram tantas acções que devolveram algumas aos accionistas.

Durante este hipercrescimento, porém, os problemas começaram a aparecer. A desigualdade salarial tornou-se maior; as pessoas começaram a mostrar sinais de stress. A produtividade global arrastou-se atrás do PIB durante uma década e problemas como ansiedade, depressão e suicídio aumentaram. E talvez o indicador mais assustador de problemas sociais seja a taxa de fertilidade: as famílias dos países desenvolvidos não têm crianças suficientes para nos substituírem.

Nas minhas viagens, vi um crescimento económico drástico na Índia e China, uma explosão empresarial no Médio Oriente e o aumento do crescimento económico na Europa de Leste. Tinha esperança na minha viagem a África este ano. Todos os líderes que conheci queriam falar sobre o futuro do trabalho, sobre a requalificação das suas pessoas, sobre a forma mais adequada de melhorar a vida dos seus colaboradores nesta fase de crescimento contínuo.

No mercado das tecnologias de Recursos Humanos, foi o período mais expansivo da minha carreira. Nasceram mais de quatro mil novas empresas de tecnologias de Recursos Humanos; abundava capital de investimento; e muitas novas ideias foram desenvolvidas. A promessa da inteligência artificial (IA) deu origem a uma sensação de maravilha e de reinvenção, e muitas pessoas fora da área de Recursos Humanos saltaram para o mercado.

Tudo isso está prestes a mudar. Chamo a isso o “Grande Reset”: Reiniciar as nossas expectativas. Reiniciar as nossas prioridades. E reiniciar a forma como gastamos o nosso tempo. Deixem-me tentar explicar.

#1. Reiniciar o trabalho: Fazer com que o trabalho digital tenha sucesso O primeiro “grande reset” é que vamos fazer com que o trabalho digital e remo- to seja um sucesso… e vamos fazê-lo da forma mais humana.

Ao longo da última década, todos passámos por transformações digitais – mas, de certa forma, a nossa vida profissional não melhorou. Esforçávamos-nos para chegar ao escritório, depois passávamos o dia “de roda” de emails, reuniões, chamadas em conferência e projectos. Nunca sabíamos quando parar, por isso a nossa produtividade, saúde e bem-estar foram afectados.

Bem, agora vamos fazer com que o trabalho digital tenha sucesso: não te- mos outra escolha. Serão estabelecidas novas ferramentas, regras e normas, que serão usadas durante décadas.

 

* Especialista em HR empresarial, gestão de talento e liderança. O artigo foi publicado no blog “Josh Bersin, Insights on Corporate Talent, Learning, and HR Technology”. É também fundador da Josh Bersin Academy, uma academia global de desenvolvimento profissional para profissionais de Recursos Humanos.

 

Leia o artigo na íntegra e conheça os outros 4 “resets” a que devemos assistir, na edição de Maio (nº. 113) da Human Resources, nas bancas.

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