O hackathon a conduzir a inovação, a colaboração e o ‘el dourado’ das empresas: a retenção

Human Resources
8 de Outubro 2024 | 11:00

Por Amanda Protasio, SAP Tech lead na Volkswagen Digital Solutions

 

Os hackathons são sinónimo de inovação e prototipagem ágil no mundo tecnológico, sendo um evento particularmente popular no chamado “ecossistema”. Contudo, este evento é muito mais que uma “competição” que se foca em desafios específicos de produtos: pode ser uma poderosa ferramenta com objectivos muito mais amplos, como a integração, aprendizagem contínua e a retenção de talento, hoje um imperativo e desafio das empresas.

Mas, antes de mais, o que é um hackathon? Na sua essência, um hackathon é uma “maratona de hacking” e, num contexto criativo, “hacking” refere-se a encontrar soluções inovadoras ou pouco convencionais para problemas. Isto pode envolver a reutilização de ferramentas existentes de formas inesperadas ou o pensamento “fora da caixa” para alcançar um resultado desejado. O hacking criativo combina engenho, experimentação e pensamento, podendo resultar numa inovação única, fruto de um espírito empreendedor que a empresa liberta nos seus activos e colaboradores. Ao permitir que as equipas escolham as suas próprias tecnologias para aprender e utilizando hyper sprints, os hackathons criam um ambiente colaborativo e dinâmico que encoraja a resolução criativa de problemas. A natureza personalizável destes eventos torna-os relevantes para várias áreas de negócio e tecnologias.

Para tornar tangível os reais benefícios dos utilizadores e clientes e não acharmos que esta é uma ferramenta que nasce e fica no universo de geeks, é de partilhar alguns bons exemplos que resultaram de hackathons de sucesso: foram os hackathons do Facebook que resultaram em funcionalidades como o botão “like” e o chat; na Netflix estes inspiraram recomendações personalizadas e conteúdo interactivo; o  UberPool e o UberEats nasceram de hackathons na Uber; os “Code Jams” da Google produziram produtos como o Google Maps e o Gmail; a “Hack Week” do antigo Twitter (X) levou a funcionalidades como o botão “Retweet” e as Sondagens; os “InDays” originaram a criação da app móvel do LinkedIn; o “OneWeek Hackathon” da Microsoft resultou em produtos como o Surface Hub e até os hackathons do Airbnb levaram a inovações como as Experiências Airbnb.

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Com a missão de impulsionar a jornada digital do Grupo Volkswagen através da inovação desenvolvida das nossas tech units em Portugal, na Volkswagen Digital Solutions a nossa Comunidade SAP Fiori enfrentou um desafio, durante seis meses, que não estava a progredir como esperado: o desenvolvimento de uma app com pouco ou nenhum progresso. Foi então que surgiu a ideia de organizar um hackathon, não só poupando tempo e encontrando soluções, como o hackathon mantém-se vivo, mesmo que “formalmente”. hoje, um ano após o nosso primeiro hackathon, a equipa cresceu e adaptou-se. Usando ferramentas como as Breakout Rooms do Microsoft Teams, Loop e um canal dedicado no Slack para o hackathon, realizámos com sucesso hackathons totalmente presenciais, híbridos e remotos. Estas ferramentas ajudaram-nos a ultrapassar desafios e a manter um fluxo de colaboração contínuo.

Esta experiência permitiu à nossa comunidade fazer as suas próprias escolhas de aprendizagem, aprofundar os seus conhecimentos e melhorar as suas competências de apresentação. Ao mesmo tempo, promoveu uma comunidade mais unida. O que torna isto ainda mais notável é o facto de a nossa Comunidade SAP Fiori ser composta por membros de três equipas diferentes e este hackathon permitiu integrá-las que, de outra forma, não teriam tido muita interacção.

Em conclusão, mas voltando ao início, é de salientar que os hackathons fazem mais do que apenas fomentar a inovação: aumentam a motivação, a aprendizagem, a relação e a retenção dos colaboradores que se tornam verdadeiros intraempreendedores. Ao criar um ambiente descontraído, que promove a integração e oferece oportunidades para o desenvolvimento individual e a expansão das competências, estes eventos proporcionam uma plataforma de aprendizagem contínua, garantindo que as iniciativas permaneçam alinhadas com os objectivos empresariais, das mais diversas áreas.

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Com esta experiência enriquecedora que estudámos e somos testemunhos, partilhamos algumas ideias e caminhos para a criação de hackathons nas (vossas) empresas. São culturalmente, economicamente e socialmente produtivos… e divertidos! Let the hackathons begin!

Objectivos dos hackathons:

  • Fomentar a integração entre equipas híbridas com diversas competências e formações.
  • Incentivar a aprendizagem contínua através da exploração de novas tecnologias e metodologias.
  • Capacitar as equipas para escolherem o seu conjunto de tecnologias, promovendo a responsabilidade e a inovação.
  • Implementar metodologias ágeis com hyper sprints para aumentar a eficiência e a adaptabilidade.

Estrutura para um hackathon de sucesso:

  1. Preparação pré-hackathon:
  • Sessão de brainstorming: começar com uma sessão de brainstorming para definir a solução, objectivos, temas e desafios alinhados com os objectivos da organização e as tendências da indústria.
  • Formação de equipas: organizar equipas multidisciplinares com membros de diferentes áreas.
  • Preparação: listar pré-requisitos como licenças ou sessões de formação e fornecer recursos para explorar tecnologias antes do evento. Criar um backlog de funcionalidades para a solução.
  1. Execução do hackathon:
  • Início: começar com uma orientação sobre objectivos, regras e metas para o dia.
  • Colaboração da equipa: facilitar a formação de equipas e a escolha do conjunto de tecnologias, incentivando a colaboração e a partilha de conhecimento.
  • Metodologias ágeis: usar sprints curtos e iterativos, com flexibilidade e adaptabilidade como prioridade.
  • Apoio: fornecer mentores e especialistas para guiar as equipas ao longo do processo.
  • Cultura de criatividade: incentivar a experimentação e soluções pouco convencionais.
  • Pausas e foco: agendar pausas e seguir a agenda para manter o foco. Após cada pausa, realizar uma sessão de stand-up para verificar o progresso e fornecer assistência, se necessário.
  • Retrospectiva: terminar o hackathon com uma sessão de retrospectiva para identificar o que correu bem, o que pode melhorar e o que deixar de fazer em futuros hackathons.
  • Aprendizagem contínua: recolher ideias e lições aprendidas para informar futuros hackathons e iniciativas da organização.
  1. Pós-hackathon:
  • Quadro de retrospectiva: manter um quadro com notas da retrospectiva para acompanhar as melhorias ao longo do tempo.
  • Feedback dos pares: incentivar feedback e reflexão para uma aprendizagem contínua.
  • Demo Day: quando a solução estiver pronta (isto pode demorar alguns hackathons), organizar um dia de demonstração para as equipas apresentarem o seu trabalho.
  • Reconhecimento: celebrar e recompensar as equipas pelas suas conquistas para fomentar uma cultura de valorização.
  • Dar prioridade à aprendizagem ao longo do processo, mais do que aos resultados propriamente ditos.

Benefícios dos hackathons:

  • Integração de equipas híbridas: os hackathons juntam indivíduos de diferentes áreas e origens, promovendo a inclusão e a diversidade dentro da organização.
  • Foco na aprendizagem: ao incentivar a exploração e experimentação, os hackathons promovem a aprendizagem contínua e o desenvolvimento de competências, ajudando os participantes a manter-se actualizados com as tecnologias mais recentes.
  • Flexibilidade tecnológica: ao permitir que as equipas escolham o seu conjunto de tecnologias, os hackathons capacitam-nas a aproveitar a sua especialização enquanto exploram novas ferramentas e plataformas.
  • Metodologias ágeis: sprints curtos promovem iterações rápidas, desenvolvimento orientado por feedback e gestão eficaz de projectos, garantindo a entrega atempada das soluções.
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