O impacto da exaustão digital na Gestão de Pessoas

Opinião de António Saraiva, HR Business Development manager

Human Resources
16 de Abril 2026 | 10:30

Por António Saraiva, HR Business Development manager

 

Brain rot” foi considerada uma das expressões do ano de 2024 pelo Dicionário Oxford. Mas mantém-se cada vez mais actual, dando origem a artigos de fundo na Comunicação Social, particularmente em Portugal. Para maior choque emocional traduz-se, por exemplo, como podridão cerebral. De forma clara descreve o declínio das capacidades cognitivas, emocionais e mentais em via do consumo excessivo de conteúdos digitais superficiais, de baixa qualidade e frenéticos. No fundo, é uma metáfora para a sensação de exaustão mental, uma certa neblina mental e a falta de foco.

Na definição mais simples no ambiente de trabalho, a análise parte da deterioração do estado mental e intelectual causada por uma sobrecarga de estímulos digitais e conteúdos de baixo valor. No fundo, acabando por proporcionar uma fadiga cognitiva gerada muito particularmente pelo excesso de consumo e utilização das redes sociais. É, sem dúvida, um problema de gestão, já que se repercute em colaboradores mais dispersos, ansiosos e com menor capacidade do designado foco profundo em reflexões objectivas e na execução das actividades.

Logicamente que as consequências são óbvias, nomeadamente baixa produtividade e procrastinação – dificuldade em se concluírem tarefas com sucesso e uma forte sensação de “mente entorpecida”. Mas também uma queda abrupta na criatividade e inovação, ou seja, o cérebro, estando habituado ao conteúdo demasiado simplista, perde a capacidade de análises complexas e, acima de tudo, pensamento crítico. Induz, ainda, dado o modo de “piloto automático” do cérebro, a um consumo de mais energia em tarefas simples, o que pode conduzir a fadiga mental e ser mesmo uma das causas de burnout. Finalmente, mas não menos importante é a tendência para uma redução da designada escuta activa, prejudicando a empatia nas interacções, sejam presenciais ou virtuais.

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Há, pois, perante este quadro, um papel importante e determinante ao nível da Gestão de Pessoas e das lideranças organizacionais, desenhando soluções estratégicas que combatam este empobrecimento. As opções são claras. A promoção da desintoxicação digital é uma delas, em particular a garantia de períodos de pausas efectivas. Por outro lado, reduzir o número de reuniões desnecessárias e com ausência de agenda, evitando-se assim o desgaste da atenção. Há que dinamizar uma cultura de foco, gerando-se ambientes que permitam períodos de concentração. Sem esquecer, obviamente, formação em gestão de tempo e foco na era digital.

O designado brain rot não é tão só uma gíria tecnológica, mas é acima de tudo uma preocupação objectiva e estratégica de saúde ocupacional. Empresas que cultivem um ambiente de trabalho que protege a saúde mental e que estimule o pensamento crítico, e profundo, terão inequivocamente vantagens competitivas.

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