«O maior desafio que se coloca aos líderes é o da resiliência e capacidade de tomada de decisão», afirma o Talent partner da Deloitte

São tempos diferentes aqueles que vivemos. Com grande parte dos colaboradores em teletrabalho, as empresas questionam-se como devem promover o employer branding. Na Deloitte, optou-se por um processo cimentado na adaptação à nova realidade.

 

Para combater os efeitos da nova pandemia COVID-19, a Deloitte adaptou a sua estratégia de Employer Branding com o objectivo de apoiar os seus cerca de três mil profissionais em regime de teletrabalho em Portugal. Gonçalo Simões, Talent partner da consultora, afirma que esta adaptação à nova realidade que vivemos «implicou um reforço da missão corporativa e dos valores da marca, através do estabelecimento de uma comunicação regular e bidireccional, suportada nos canais digitais». E não esconde que comunicar com todos os profissionais em teletrabalho trouxe à organização «novos desafios e novas oportunidades ao nível corporativo, motivacional e emocional». Nesse mesmo sentido, adaptaram «de forma muito rápida», as suas campanhas internas.

Como exemplo, refere a campanha de well-being que consistia na activação de várias iniciativas de bem-estar nos seus escritórios e no “mundo físico”, e que este ano foi totalmente redesenhada
para o online. «Este ano, e devido ao novo contexto pandémico que vivemos, decidimos promover esta campanha interna ao longo de um maior período de tempo, iniciando-se em Março e estendendo-se pelos meses de Abril, Maio e Junho, centrando a sua activação em três grandes eixos de comunicação: Purpose, Mind e Body», explica Gonçalo Simões, esclarecendo que estas três dimensões da campanha nascem para ajudar quem está a trabalhar a partir de casa, ou seja, «para ajudar os profissionais a manterem o foco no compromisso de criar um impacto relevante no mundo, na sua rede profissional, na sua rede familiar e comunitária – a sense of purpose; a manterem a sua resiliência emocional, através de acções que promovem uma maior criatividade e um sentimento de positivismo e optimismo no futuro – an engaged mind; e, por último, ajudar a conservar um estilo de vida saudável, através do exercício físico, descanso e nutrição adequada – an energized body».

Esta iniciativa interna da Deloitte contempla diversas acções digitais de aprendizagem e bem-estar físico e psíquico, como ciclo de webinares no âmbito do planeamento, produtividade e criatividade, sessões de coaching empresarial, sessões de mindfulness, workshops de nutrição, aulas de exercício físico, entre outras.

Adicionalmente, a empresa disponibilizou aos seus profissionais o acesso a cuidados de saúde extra, ao abrigo do seguro de saúde, podendo os seus profissionais realizar testes de despiste COVID-19, mediante a prescrição médica. «Estes são apenas alguns dos exemplos das muitas iniciativas que estamos a desenvolver de e para as nossas pessoas», sublinha.

 

Employer Branding: O valor
Mas qual será o valor do employer branding no tempo que vivemos? Gonçalo Simões não tem dúvidas: «Apesar de ser uma área em que a Deloitte investe há vários anos assume, actualmente, uma importância crucial na gestão empresarial.» Na Deloitte acredita-se que o actual momento vem reforçar a importância da comunicação com as suas pessoas. «Sabemos que o teletrabalho em regime de pandemia exige diferentes desafios a cada um dos nossos profissionais, e estamos a procurar apoiar as novas necessidades que emergem deste novo dia-a-dia, considerando também os diferentes modelos familiares existentes – famílias tradicionais, monoparentais, unipessoais, etc.», refere o responsável, que acredita que este novo contexto implica a criação de um novo método de work/life balance. «Estamos a dialogar com os nossos profissionais no sentido de desenhar novas respostas a este ‘novo normal’», garante.

Importa também olhar para o dia seguinte, e aqui entra a resiliência, «parte da história da Deloitte e que integra o ADN da marca», afirma o Talent partner. «Com 175 anos de existência global e com presença há 51 no mercado português, a Deloitte conta com a experiência de outros momentos de dificuldade, nos quais ajudou os clientes, a comunidade e as suas pessoas a ultrapassar as adversidades das diferentes conjunturas. Enquanto marca, vivemos a primeira e a segunda guerras mundiais. Em Portugal, vivemos também o 25 de Abril e, num exemplo mais recente, estivemos ao lado dos nossos principais stakeholders na última crise financeira», recorda, assegurando que «não será diferente neste novo contexto pandémico de COVID-19», um combate no qual acreditam «ter um papel importante na resposta, recuperação e crescimento económico do país».

Nestes tempos de incerteza, «a Deloitte está uma vez mais conectada ao que importa – continua –, tal como temos feito ao longo dos nossos 175 anos de história, concentrando-nos nas necessidades dos clientes, intensificando o apoio às comunidades locais e priorizando o bem-estar dos nossos profissionais. Estou certo de que juntos iremos superar esse desafio.»

 

Uma transformação transversal 
Com a reabertura da economia e perante um “novo normal”, a Deloitte está a adoptar como modelo três etapas de evolução no combate aos efeitos da COVID-19: respond (resposta), recover (recuperação), thrive (crescimento). Gonçalo Simões esclarece: «O nosso plano de contingência está a ser progressivamente desenvolvido em cada uma destas etapas e de acordo com a evolução pandémica no país e no mundo. Preparamo-nos para entrar na etapa de recuperação e, com a abertura da economia portuguesa prevista para Maio, iremos continuar a acompanhar os principais desafios dos nossos profissionais e da nossa organização.»

Com todos os seus profissionais em teletrabalho, a Deloitte acredita que esta nova realidade tem vindo a reforçar a sua cultura organizacional e a fomentar uma maior proximidade entre as diferentes equipas da organização. Para Gonçalo Simões, a consequência natural desta maior proximidade profissional e humana reflecte-se em diversos domínios da sociedade e nos projectos internos e externos em que a empresa está a colocar a sua energia, com o intuito de apoiar instituições sociais, entidades públicas e outras associações empresariais por todo o país.

E destaca: «A cultura da nossa organização – criar um impacto relevante – tem-se manifestado em diferentes gestos, como a doação de 12 toneladas de alimentos que os profissionais da Deloitte fizeram ao Banco Alimentar Contra a Fome, convidando outras empresas a juntarem-se a esta causa.»

Depois de termos sido todos postos à prova com uma situação extrema e inesperada, a liderança das organizações está a deparar-se com inúmeros desafios impostos pelos efeitos do novo coronavírus. «Em face disso – faz notar –, o maior desafio que se coloca a todos os líderes é o da resiliência e capacidade de tomada de decisão, num cenário de alteração constante do contexto que vivemos.»

Com a pandemia, assistimos a uma aceleração na transformação nas organizações. Na opinião de Gonçalo Simões, esta transformação de processos é transversal a todos os sectores e marca efectivamente o início de uma economia mais digitalizada, «o que terá uma tradução automática na gestão de pessoas, com o employer branding a assumir uma importância tendencialmente crescente daqui para a frente».

No caso da Deloitte, havia o sentimento de que a organização tinha de se adaptar muito rapidamente a esta nova realidade, estabelecendo uma abordagem mais holística nos projectos de employer branding, privilegiando um estilo de comunicação mais claro, confiante e humano. Assim, «as iniciativas mantiveram-se na sua génese, mas ajustaram-se aos novos tempos e amplificaram-se nos suportes digitais», conclui.

 

Este artigo vai ser publicado na edição de Maio da Human Resources, no Caderno Especial “Employer Branding”

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