O mercado de trabalho na Europa: quem criou mais emprego e quem tem mais vagas por preencher?

Qual a realidade do mercado de trabalho europeu? A BestBrokers analisou os dados mais recentes sobre emprego e contratação em toda a Europa entre Abril de 2025 e Março de 2026.

Human Resources
5 de Agosto 2026 | 09:40
O mercado de trabalho na Europa: quem criou mais emprego e quem tem mais vagas por preencher?

Actualmente, muitos trabalhadores temem que a função de que dependem deixe de existir à medida que os sectores são transformadas pelas novas tecnologias. Por toda a Europa, o mercado de trabalho está a tornar-se um terreno fértil tanto para a ansiedade como para as oportunidades, onde algumas profissões enfrentam uma crescente incerteza, enquanto outras são mais requisitadas do que nunca.

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Segundo a análise da BestBrokers, em 2026 o mercado de trabalho europeu continua notavelmente activo – as taxas de emprego ultrapassam os 80% em onze países, liderados por Malta (83,4%) e Países Baixos (83,3%), e, ao mesmo tempo, os empregadores continuam a competir agressivamente pelo talento, anunciando mais de 10 milhões de vagas em todo o continente.

Uma das principais conclusões mostra que os profissionais técnicos surgem como a ocupação mais procurada na Europa (731.953), figurando como a principal categoria de vagas de emprego na Alemanha, França, Áustria, República Checa e Roménia.

O mercado de trabalho na Europa pode parecer estável, mas os principais números escondem disparidades significativas entre países. Malta lidera o ranking do emprego na Europa com uma taxa de 83,4%, seguida de perto pelos Países Baixos (83,3%) e pela República Checa (82,8%), o que significa que mais de quatro em cada cinco residentes em idade activa nestes países estão a trabalhar. No total, 11 países ultrapassam o limite dos 80%  – Portugal está no limite -, enquanto a média da UE é de 76,3%, indicando que o emprego continua robusto em grande parte do norte e centro da Europa.

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A disparidade no mercado de trabalho europeu vai além das percentagens, reflectindo milhares de pessoas em idade activa que permanecem desempregadas. Entre os países analisados, a Turquia registou a taxa de emprego mais baixa, com apenas 57,3% dos residentes em idade activa empregados, seguida pela Macedónia do Norte (64,40%), Itália (68%) e Roménia (68,8%). Em contraste, mais de oito em cada dez residentes em idade activa estavam empregados em países como Malta, Países Baixos e República Checa, evidenciando as grandes diferenças na participação no mercado de trabalho em todo o continente.

Contudo, as taxas de emprego por si só revelam apenas parte da história do mercado de trabalho europeu – um estudo da Eurofound revelou que 18,8% dos empregos em toda a UE podem ser classificados como vulneráveis, uma medida que combina insuficiência de rendimentos, insegurança laboral e falta de direitos laborais, demonstrando que a força do mercado de trabalho europeu depende não só do número de pessoas empregadas, mas também da qualidade e segurança desses empregos.

Espanha e Turquia – os extremos

O mapa económico tradicional da Europa está a mudar: o sul, há muito associado a um maior desemprego e a uma menor participação no mercado de trabalho, tornou-se um surpreendente motor de expansão da força de trabalho. Espanha é responsável pela maior fatia de novos empregos na Europa, acrescentando 430 mil pessoas empregadas, seguida por Portugal (+82 mil), Grécia (+34 mil), Croácia (+16 mil) e Chipre (+12 mil) – um aumento combinado de 574 mil trabalhadores.

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Todavia, outras partes do continente viram as suas forças de trabalho diminuir gradualmente. Para além de apresentar as taxas de emprego mais baixas, a Turquia registou a maior queda da força de trabalho, perdendo 392.000 pessoas empregadas entre o primeiro trimestre de 2025 e o primeiro trimestre de 2026. Isto acontece num período de dificuldades económicas marcado por uma inflação elevada, desvalorização da moeda e aumento dos custos para as empresas, factores que afectaram o ritmo de contratação e o poder de compra das famílias.

O principal desafio da Europa

O aumento da actividade de recrutamento ocorre numa altura em que a Europa enfrenta um sério desafio: uma crescente escassez de trabalhadores. Embora o elevado número de vagas seja frequentemente visto como um sinal de força económica, reflecte cada vez mais um fosso crescente entre a procura por parte dos empregadores e a disponibilidade de mão-de-obra qualificada.

Talvez o padrão mais marcante seja o de que algumas das economias europeias com maior necessidade de mão-de-obra já não estão a expandir a sua força de trabalho. Os Paíss Baixos e a Alemanha registaram quebras no emprego em comparação com o ano passado, mas, em conjunto, anunciaram mais de 5,2 milhões de vagas. Em ambos os países, o envelhecimento demográfico e a persistente escassez de competências fizeram com que os empregadores competissem por um grupo de trabalhadores cada vez mais escasso.

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Muitas economias europeias estão a criar vagas mais rapidamente do que a sua força de trabalho está a crescer. A Suécia anunciou 285.184 vagas de emprego, enquanto acrescentou apenas 32.000 pessoas ao longo do ano, ao passo que a Finlândia procurou mais de 109.000 trabalhadores, apesar de uma redução de 11.000 empregos. A Bélgica enfrentou um desequilíbrio semelhante, com mais de 1,2 milhões de vagas e um crescimento de apenas 21.000 empregos. Em conjunto, estes números sugerem que o desafio que se coloca a muitos mercados de trabalho europeus não é a falta de emprego, mas sim a falta de trabalhadores disponíveis com as competências necessárias.

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