O novo plano de reforma? Sair dela

Durante décadas, a reforma seguiu um guião previsível. As pessoas trabalhavam a tempo inteiro, atingiam uma certa idade e afastavam-se do mercado de trabalho definitivamente. Só que o aumento dos custos e a redução das poupanças estão a reescrever este guião.

Human Resources
2 de Julho 2026 | 21:00

De acordo com um novo inquérito da AARP, 7% dos reformados voltaram a trabalhar nos últimos seis meses, um fenómeno conhecido em inglês como “unretiring”. Ainda mais revelador, quase metade destes trabalhadores disse que regressou principalmente porque precisava de ajuda para cobrir as despesas do dia-a-dia, reporta a Inc.

Apesar do valor e contributos dos profissionais mais velhos, o inquérito da AARP mostra que 64% dos trabalhadores com 50 anos ou mais já testemunharam ou sofreram discriminação etária no local de trabalho, e 67% acredita que agora seria difícil encontrar um novo emprego.

A investigação da AARP estima o custo da discriminação etária para a economia dos EUA em 850 mil milhões de dólares no PIB actualmente, um valor que a organização projecta que poderá chegar aos 3,9 triliões de dólares até 2050, caso os padrões actuais se mantiverem.

Os estereótipos de que os colaboradores mais velhos resistem a novas ferramentas ou estão a caminhar para a reforma sem grandes ambições não condizem com os resultados da AARP, que mostram que este grupo tende a ter um forte mindset de crescimento e vontade de aprender novas competências quando os empregadores disponibilizam essa oportunidade.

Os trabalhadores mais velhos tendem a permanecer mais tempo nas empresas, o que reduz os custos de recrutamento, onboarding e formação associados ao turnover.

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Um outro estudo da AARP em parceria com o LinkedIn constatou ainda que as redes profissionais dos trabalhadores mais velhos são cerca de 20% maiores e mais experientes do que as dos colaboradores mais jovens, representando um recurso para benchmarking, resolução de problemas e introdução de novas ideias na empresa.

Ao contrário da suposição de que os colaboradores mais velhos ficam para trás em termos de tecnologia, a AARP e o LinkedIn descobriram que quase metade dos trabalhadores mais velhos ocupam agora cargos considerados imunes à disrupção da IA, baseados em competências de tomada de decisão, liderança e colaboração que são mais difíceis de automatizar.

Carly Roszkowski, vice-presidente dos programas de resiliência financeira da AARP, associa isto directamente à demografia que os empregadores não podem ignorar. O censos norte-americano prevê que, até 2034, pela primeira vez na história do país, haverá mais cidadãos com 65 anos ou mais do que com menos de 18 anos.

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À medida que os norte-americanos trabalham durante mais tempo e repensam a reforma, as empresas que redesenharem os seus locais de trabalho para várias gerações obterão uma vantagem competitiva cada vez mais importante. Segundo Roszkowski, as empresas que se estruturam para uma força de trabalho multigeracional são as que vão manter o conhecimento institucional internamente

Para tal devem apostar na flexibilidade, em programas de reforma gradual, no trabalho a tempo parcial e em funções remotas, oportunidades que dão agora aos colaboradores experientes mais motivos para se manterem no mercado de trabalho.

Os reformados não são um fardo para o mercado de trabalho. Na visão de Roszkowski, são um activo subvalorizado que os empregadores ainda não aprenderam a avaliar correctamente.

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