A principal preocupação dos gestores portugueses é, actualmente, o “Governo e política”, segundo o barómetro de Fevereiro do Fórum dos Administradores e Gestores de Empresas (FAE), superando pela primeira vez num ano os receios quanto à taxa de inflação.
Com 29,5% das respostas, a apreensão com o «Governo e política» ultrapassou, pela primeira vez desde Fevereiro de 2022, a relacionada com a «taxa de inflação», que agora se encontra em segundo lugar.
Por sua vez, a preocupação com a «contratação, retenção de talentos» manteve-se em terceiro lugar no ranking, mas com um «ligeiro aumento» de 1% em relação a Janeiro, correspondendo agora a 18,6% das respostas.
«Estes dados reflectem as preocupações dos gestores em relação às decisões do Governo e às incertezas políticas, bem como a importância crescente de atrair e reter talentos num mercado de trabalho cada vez mais competitivo», sustenta o FAE num comunicado divulgado.
Para o presidente do Fórum, Paulo Carmona, «estes números mostram o regresso de alguma apreensão quanto à estabilidade governativa, que se tinha dissipado em Fevereiro de 2022 após a conquista da maioria absoluta».
«Para os gestores portugueses, a questão conjuntural da inflação trocou com o tema do Governo e suas políticas, permanecendo em terceiro lugar a questão mais vasta e estrutural da dificuldade de contratação e retenção de talentos», refere, citado no comunicado.
Ainda de acordo com o Barómetro dos Gestores do FAE, o optimismo dos gestores de empresas manteve-se negativo em Fevereiro, com 2,85 pontos, subindo «ligeiramente» em relação ao mês anterior (2,82).
O FAE é, desde 1979, a associação representativa dos gestores portugueses, afirmando contar entre os seus associados com «os administradores e gestores das maiores empresas portuguesas, incluindo 12 CEO [presidentes executivos] do actual PSI».
O Barómetro Mensal dos Gestores Portugueses baseia-se num inquérito mensal aos associados do fórum sobre o que mais preocupa os gestores e administradores de empresas para os 12 meses seguintes, incluindo também o nível de optimismo e pessimismo para esse período.
Com as respostas, numa média entre 170 a 210, o FAE constrói um barómetro mensal que indica a evolução das preocupações e do optimismo dos gestores portugueses.














