Quem trabalha na área dos Recursos Humanos sabe que a gestão de talento é um trabalho minucioso e sensível, uma vez que gerimos aquele que é o activo mais importante numa organização – as suas pessoas. Pessoas essas tão diferentes e com necessidades tão particulares, mas com as quais é preciso criar o compromisso de as valorizar e desenvolver, isto se queremos que o negócio acompanhe o mundo de rápida mudança que temos actualmente.
Por Aldina Lima, directora de Recursos Humanos da OTIS Portugal
No actual contexto empresarial, reter talento e desenvolver capacidades que promovam o crescimento tanto ao nível do capital humano como da própria organização é uma preocupação constante. Uma coisa é certa, atrair e reter talento humano é um grande desafio para as empresas no mercado atual e exige um grande planeamento a curto, médio e longo prazo. O mercado de trabalho está em constantes mudanças e as empresas estão cada vez mais competitivas, e isso traduz-se na natural movimentação de colaboradores entre organizações. Movimentação essa que muitas vezes representa um custo mais elevado para a companhia do que o da manutenção, uma vez que a contratação de substitutos para os colaboradores que saem envolve gastos significativos, principalmente para as funções que exigem um período de formação e aprimoramento constante.
A área de recursos humanos é muito mais do que adequar os melhores profissionais para os cargos certos, é flexibilizar a gestão dos colaboradores com o objectivo não só de atrair e seleccionar os melhores, mas também ter a capacidade de os reter de forma a que queiram crescer dentro das organizações. Mas então, a pergunta que se põe é: o que é mais importante em Recursos Humanos, saber captar ou reter talento? Ambos os pontos são importantes e, é nesta questão que se entende que a gestão de talentos é fundamental e que os recursos humanos são acima de tudo gestão de pessoas. Não há fórmulas secretas e gerais, há sim um processo adequado a cada necessidade, também aqui a personalização ou o taylor made são o imperativo.
Uma coisa é certa, equipas motivadas traduzem-se em equipas produtivas compostas por pessoas felizes e consequentemente, em menos rotatividade das mesmas, logo diminui a necessidade de captação de talento. Assim, é importante que as organizações, seja através dos Recursos Humanos, seja através das chefias directas, tenham a capacidade de ouvir os seus colaboradores, individualmente e de lhes perguntarem “o que a companhia pode fazer por si?”. O que um colaborador considera essencial e que o motiva a ficar na companhia, não é o mesmo que outro. Para uns, o facto de a companhia reconhecer o seu trabalho e o seu esforço através de um aumento de ordenado ou de um prémio é o mais importante, para outros nada disto importa se na companhia houver mau estar ou mau ambiente, outros por exemplo, consideram que a flexibilidade de horário ou mesmo a possibilidade trabalharem a partir de casa, é o essencial para conseguirem equilibrar a vida profissional com a pessoal.
Atrair talento é obviamente importante, pois sem talento, bom talento, uma companhia não prospera nem é competitiva, mas diria que saber reter esse talento é o mais importante, e quem sabe, o mais difícil, pois é aqui que entra a individualização. Reter talento exige muito mais energia e dedicação dos profissionais que atuam na área de gestão de pessoas, pois é preciso construir programas que superem bons salários e benefícios. A humanização é a palavra chave.














