Numa altura em que as empresas continuam a enfrentar desafios na atracção e retenção de talento, os resultados do estudo mostram que as prioridades dos trabalhadores portugueses permanecem relativamente estáveis, mas com um reforço claro da importância atribuída ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
O estudo identifica os cinco factores considerados mais importantes pelos portugueses na escolha de um empregador:
1. Salário e benefícios competitivos (68%);
2. Equilíbrio entre vida profissional e pessoal (67%);
3. Progressão na carreira (65%);
4. Ambiente de trabalho agradável (63%);
5. Segurança no emprego (58%).
Os resultados demonstram que, embora o salário continue a liderar as prioridades dos profissionais, o equilíbrio entre vida profissional e pessoal reforçou significativamente a sua importância, aproximando-se do topo das preocupações dos trabalhadores portugueses.
As mulheres e os profissionais com maior nível de escolaridade atribuem ainda maior relevância à combinação entre remuneração competitiva, progressão na carreira e ambiente de trabalho positivo.
Empresas continuam aquém nas prioridades mais valorizadas
Apesar de os empregadores em Portugal serem globalmente bem avaliados em factores como segurança no emprego, reputação e ambiente de trabalho, o estudo evidencia um desfasamento significativo entre aquilo que os profissionais procuram num empregador ideal e a forma como avaliam as empresas onde trabalham atualmente.
O maior alerta surge ao nível da remuneração: salário e benefícios são o factor mais valorizado pelos profissionais, mas ocupam o último lugar (12.º) na avaliação feita aos empregadores atuais. Existem igualmente lacunas relevantes na progressão na carreira e no apoio ao equilíbrio entre vida profissional e pessoal.
«As conclusões deste estudo mostram que os profissionais portugueses continuam a procurar estabilidade e remuneração competitiva, mas existe uma valorização crescente do equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Hoje, os trabalhadores esperam mais do que um salário atrativo: procuram empresas capazes de proporcionar bem-estar, flexibilidade, desenvolvimento e uma experiência de trabalho positiva», afirma Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal.
A responsável acrescenta ainda que «salário, progressão de carreira e equilíbrio vida-trabalho são factores inegociáveis. Quando estas expectativas não são cumpridas, aumenta significativamente a probabilidade de mudança de emprego».
Os resultados do estudo revelam também uma dinâmica contínua de mobilidade no mercado de trabalho português:
· 12% dos profissionais mudaram de emprego nos últimos seis meses;
· 23% planeiam mudar de emprego no decorrer do próximo semestre.
Os principais motivos apontados para abandonar uma empresa refletem precisamente as prioridades menos satisfeitas pelos empregadores:
· Remuneração demasiado baixa (50%);
· Falta de oportunidades de progressão na carreira (42%);
· Dificuldades em assegurar um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional (41%).
O talento operacional continua a ser o segmento com maior intenção de mudança de emprego, enquanto os profissionais digitais demonstram níveis mais elevados de satisfação relativamente ao empregador actual.
Equilíbrio vida-trabalho ganha peso entre diferentes gerações
O Randstad Employer Brand Research 2026 revela ainda que um bom ambiente de trabalho (53%), tempo garantido de descanso e recuperação (50%) e modelos de trabalho flexíveis (40%) são os principais factores que contribuem para um equilíbrio saudável entre vida profissional e pessoal.
Os profissionais mais jovens valorizam sobretudo cargas de trabalho e expectativas mais geríveis, enquanto os profissionais acima dos 35 anos atribuem maior importância a factores relacionados com saúde, bem-estar e apoio social e familiar.
Apesar da crescente valorização da flexibilidade, a adopção do trabalho remoto continua limitada em Portugal: apenas cerca de três em cada dez profissionais trabalham remotamente, pelo menos parte do tempo.
Na procura de novas oportunidades profissionais, o portal Net-Empregos continua a liderar como a plataforma mais utilizada e com maior taxa de sucesso entre os candidatos portugueses. Seguem-se o LinkedIn, redes de contactos pessoais e redes sociais.
O estudo revela também diferenças geracionais relevantes: os profissionais mais jovens recorrem cada vez mais a ferramentas digitais, Google Jobs e aplicações de inteligência artificial para procurar emprego, enquanto os profissionais mais experientes continuam a privilegiar contactos pessoais e plataformas tradicionais.














