O que estão os líderes a fazer para dar resposta às exigências da Indústria 4.0?

Margarida Lopes
2 de Março 2020 | 10:15

À medida que os líderes empresariais se adaptam à quarta revolução industrial (Indústria 4.0), que une activos físicos e tecnologias digitais avançadas, assumem também a responsabilidade de desenvolver as competências da sua força de trabalho.

Um artigo publicado na Forbes destaca os resultados do relatório da Deloitte, “The fourth industrial revolution: at the intersection of readiness and responsability”, de acordo com o qual preparar os trabalhadores para dar resposta ás exigências da indústria 4.0 continua a ser um desafio fundamental, e os líderes não têm confiança na forma como as organizações o estão a fazer.

Apenas 10% dos executivos inquiridos ​​disseram ter feito um grande progresso no entendimento de que competências serão necessárias no futuro, e apenas um quinto concordou que suas organizações estão prontas.

Para enfrentar este desafio, os executivos estão focados na formação e desenvolvimento. De acordo com o mesmo relatório, três quartos dos executivos estão a fazer do desenvolvimento da força de trabalho uma das principais prioridades do sector 4.0 e planeiam fazer grandes investimentos nessa área. E mais de 80% dizem que criaram ou estão a criar uma cultura corporativa de aprendizagem ao longo da vida.

Estas medidas constituem diferenças gritantes da abordagem prática do passado. Há dois anos, os executivos disseram que não havia muito a fazer para preparar o seu pessoal para as competências exigidas na era da Indústria 4.0, e apenas 12%  disseram que as suas organizações poderiam influenciar a educação, a formação e a aprendizagem ao longo da vida num grau significativo.

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«As empresas estão a começar a entender que, se desejam ter sucesso na Indústria 4.0, devem criar ambientes de trabalho ágeis e culturas modernas no local de trabalho, onde os colaboradores possam adquirir continuamente novas habilidades para acompanhar a natureza mutável do trabalho», diz Michele Parmelee, Deloitte Global director de Pessoas e Propósito.

Embora as competências técnicas sejam necessidades óbvias, é fundamental que as pessoas também cultivem as chamadas  «competências humanas», que terão ainda mais valor num local de trabalho mais automatizado. O desenvolvimento de competências humanas únicas vai criar uma força de trabalho mais adaptável à medida que os trabalhos forem reestruturados, e também vai ajudar os trabalhadores a especializarem-se em áreas, onde as máquinas têm menos probabilidade de se destacar.

Competências do futuro

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De acordo com um estudo da IFTF (The Institute for the Future ), as principais competências que os futuros colaboradores precisam para ter sucesso incluem:

– inteligência contextualizada;

– compreensão diferenciada da sociedade, negócios, cultura e pessoas;

– mentalidade empreendedora.

Embora muitas competências humanas sejam consideradas características inatas, podem ser ensinadas a futuros trabalhadores e estão ligadas a um melhor desempenho. De acordo com outro estudo, de Harvard, as soft skills (competências sócio-emocionais e não cognitivas) são maleáveis ​​na idade adulta e podem ser desenvolvidas com os recursos, ambiente e incentivos adequados.

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O estudo da Deloitte destaca que os profissionais mais jovens estão ansiosos por esse tipo de formação. «Os profissionais jovens acham que a automação pode libertá-los de tarefas repetitivas para focar em tarefas que exigem um toque mais pessoal», explica Parmelee. «Portanto, estão procurar especialmente ajudar a criar confiança, capacidades interpessoais e, principalmente para a geração Z, aptidão ética.»

No entanto, os millenials não acreditam que os empregadores estejam suficientemente focados no desenvolviemento as soft skills. Mais de um terço disse que é essencial para o sucesso de uma empresa, que os colaboradores e líderes tenham fortes capacidades interpessoais, mas apenas 26% disseram ter recebido apoio para desenvolvê-las. E que se verifica o mesmo défice de suporte nas áreas de confiança, integridade, pensamento crítico e criatividade.

Várias universidades e empresas estão a começar a desenvolver os seus próprios programas de “inteligência emocional”. A Universidade de Stanford, por exemplo, oferece um curso de Compassion Cultivation Training ( Cultivo de Compaixão) para ajudar as pessoas a desenvolver compaixão e empatia pelos outros. Enquanto um dos cursos do programa de liderança interna da Deloitte é “A Arte da Empatia”, que ajuda os líderes a aprender a andar no lugar de outras.

«Acho que a melhor maneira de servir as nossas organizações e os nossos colaboradores é criar uma cultura na empresa que treine as pessoas para serem flexíveis, autos-suficientes e confiantes», diz Pierre Naudé, CEO da nCino,

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