As medidas de combate à COVID-19 afectaram sectores, funções e a forma de trabalhar. Ainda assim, os factores decisivos para os portugueses na hora de escolher o seu empregador não se alteraram significativamente, mas há um critério que recuperou alguma relevância, revela o “Randstad Employer Brand Research 2021”.
Por Ana Leonor Martins (edição e entrevistas) e Sandra M. Pinto (recolha de depoimentos)
É inquestionável que a COVID-19 veio mudar as nossas vidas, não apenas na forma como nos relacionamos, mas também no mundo do trabalho. Especialistas consideram mesmo que o mundo do trabalho mudou para sempre, e não apenas porque existem novas regras sanitárias ou porque o teletrabalho foi imposto – a transformação será muito mais profunda. A relação com as empresas, a conciliação, as competências digitais, o medo de ir trabalhar e a confiança são algumas das dimensões desta mudança, uma mudança que não tem fronteiras. Dificilmente alguém poderá dizer que o seu dia-a-dia está exactamente igual ao que era antes de Março de 2020. Ainda assim, há constantes que se mantêm. Neste contexto, pelo sexto ano consecutivo em Portugal, a Randstad apresentou os resultados daquele que é o maior estudo independente que analisa a percepção da população activa em relação aos maiores empregadores.
De forma genérica, verifica-se que em Portugal não há alteração significativa no pódio referente ao que os trabalhadores procuram numa empresa. O salário e benefícios mantém-se como o critério mais importante (71%), sendo no entanto considerado como um “factor higiénico” e não um verdadeiro EVP (Employee Value Proposition). Seguem-se, com o mesmo valor (66%), os critérios conciliação entre a vida pessoal e profissional e estabilidade profissional. De notar que, comparando com o ano passado, verifica-se uma subida da importância da estabilidade profissional (em 2020 surgia em quinto), realidade que Inês Veloso, directora de Marketing e Comunicação da Randstad Portugal, não estranha, já que em alturas de crise tende a ser um critério muito valorizado e que acaba por acompanhar a subida da taxa de desemprego. Em 2020, era a progressão de carreira que surgiu em terceiro lugar (em 2021 desce para quinto), e em 2019 esse lugar no pódio era ocupado pelo ambiente de trabalho (este ano em quarto lugar).
É também interessante verificar que a ordem da valorização destes critérios não reflecte a média da Europa, onde o ambiente de trabalho ocupa a segunda posição. Na apresentação dos resultados, Inês Veloso lembra que não é uma tendência nova, seguindo os resultados de anos anteriores.
No estudo faz-se uma ressalva em relação às comparações com anos anteriores, pois a pergunta foi alterada, podendo os inquiridos escolher os factores que consideram importantes de uma lista de 16 factores, enquanto nos anos anteriores tinham de escolher cinco de 16. Este ano foram adicionados dois critérios à lista total apresentada aos inquiridos: COVID-19 segurança no trabalho (49%) e a possibilidade de trabalhar em casa (41%). Estes critérios ocupam, respectivamente, o oitavo e o nono lugar do ranking de critérios de decisão do empregador.
Por ordem de importância em Portugal, ficam assim ordenados:
- Salário e benefícios atractivos (71%);
- Conciliação entre a vida pessoal e profissional (66%);
- Estabilidade profissional (66%);
- Bom ambiente de trabalho (65%);
- Progressão de carreira (64%); R Saúde financeira (57%);
- Boa formação (53%);
- COVID-19 segurança no trabalho (49%);
- Possibilidade de trabalhar remotamente/a partir de casa (41%);
- Forte liderança (41%);
- Conteúdo de trabalho interessante (41%);
- Sustentabilidade (40%);
- Diversidade e inclusão (39%);
- Localização (39%);
- Utilização das últimas tecnologias (32%);
- Boa reputação (31%).
Comparando com a Europa, o tema da segurança é mais valorizado pelos portugueses do que a possibilidade do trabalho remoto. Inês Veloso destaca que no questionário “extraordinário” realizado em Setembro, tinham verificado que os portugueses tinham medo de ir trabalhar, não sendo por isso um resultado que surpreenda.
Em detalhe
A remuneração e os benefícios são, como sempre, o factor mais importante para todos e têm a classificação mais alta na faixa etária 25-34. Dos cinco factores mais importantes, os outros quatro são de importância semelhante para os colaboradores. O equilíbrio entre a vida pessoal e profissional é mais importante para as pessoas de nível médio e superior e ligeiramente mais elevado para as mulheres. Um ambiente de trabalho seguro à COVID-19 não se encontra nos cinco factores mais importantes. Verifica-se também que os trabalhadores com menor formação são menos exigentes, já que têm em conta, em média, seis factores importantes para eles, em oposição às pessoas de nível médio e superior, que apontam em média oito factores essenciais para eles.
Em relação à proposta do empregador, os trabalhadores portugueses dão uma classificação mais alta aos empregadores que ofereçam um emprego seguro em termos de COVID-19, financeiramente saudável e estável. As classificações mais baixas são dadas pelos colaboradores por: remuneração e benefícios (especialmente das faixas etárias mais velhas), progressão na carreira e a possibilidade de trabalhar remotamente (os colaboradores mais velhos dão mais ênfase a isto).
Em toda a Europa, os colaboradores dão uma classificação mais alta aos empregadores com estabilidade financeira e uma boa reputação, ligeiramente diferente em comparação com Portugal.
Embora a remuneração e os benefícios sejam o factor mais importante no empregador ideal português, a força de trabalho portuguesa dá-lhe uma classificação mais baixa quando se fala de factores oferecidos individualmente. A seguir, a progressão na carreira e o equilíbrio entre a vida profissional e pessoal sobressaem como os factores de maior importância para os colaboradores, porém o empregador médio português recebe classificações baixas nesses factores. É, por isso, recomendado que os empregadores prestem mais atenção à progressão na carreira e ao equilíbrio entre a vida profissional e pessoal para se posicionarem como empregadores atractivos no País.
Leia o artigo na íntegra, com todas as conclusões do estudo e os depoimentos das empresas vencedoras em Portugal, na edição de Maio (125) da Human Resources, nas bancas.
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