Por Sofia Sousa, Chief Commercial Officer do LACS
Há poucos anos, a pandemia fez-nos questionar se o escritório tinha perdido o seu lugar no mundo do trabalho. Em vários sectores, as empresas aprenderam a funcionar à distância e as equipas adaptaram-se a novas, e em muitos casos, até mais benéficas condições de trabalho. A crescente valorização da flexibilidade e de modelos de trabalho híbridos e remotos trouxe, assim, uma nova questão à qual os líderes de hoje e do futuro devem estar preparados para responder: “O que motiva realmente um profissional a ir trabalhar para o escritório?”.
O escritório deixou de ser apenas o local onde se trabalha e tornou-se uma das mais importantes ferramentas de employer branding. De acordo com o JLL Workforce Preference Barometer 2025, os colaboradores estão a aceitar, de um modo geral, as políticas relativas à presença no escritório, mas revelam que a qualidade da experiência presencial é determinante para a sua produtividade, para estimular o trabalho em equipa e até para garantir o seu conforto individual.
A crescente competitividade pelo melhor talento está igualmente a obrigar as empresas a criar condições de trabalho verdadeiramente diferenciadoras. As novas gerações e, em particular, a Geração Z, que, até 2030 representará cerca de 60% da força de trabalho mundial segundo o Fórum Económico Mundial, procura, hoje, benefícios que vão muito além do salário, valorizando experiências alinhadas com os seus valores, a promoção do bem-estar físico e mental e uma cultura aberta e inclusiva. Neste contexto, o escritório assume uma relevância acrescida, devendo responder às necessidades dos profissionais e proporcionar um ambiente confortável, dinâmico e colaborativo, que estimule a produtividade, a criatividade e a inovação.
Um bom escritório deve ser cuidadosamente pensado para ser um espaço onde os profissionais querem estar: para colaborar, para fortalecer relações e para desbloquear a criatividade. Em vez de ambientes rígidos e estáticos, as empresas devem apostar em espaços mais adaptáveis, capazes de responder a diferentes formas de trabalhar. A existência de zonas colaborativas, áreas de concentração, espaços informais e locais dedicados ao bem-estar é essencial para criar uma experiência presencial mais completa e relevante. Quando o escritório oferece valor, deixa de ser visto como uma obrigação e passa a ser um local onde as pessoas querem estar.
Esta evolução está, assim, a transformar a forma como as organizações investem na experiência de trabalho presencial. Para responderem às novas expectativas das equipas, cresce a procura por espaços de trabalho flexíveis e orientados para a colaboração, que permitem concentrar recursos na criação de experiências mais positivas para os colaboradores. Mais do que escritórios visualmente apelativos, são espaços pensados para promover relações, facilitar a partilha de conhecimento e criar condições para que as pessoas possam trabalhar com conforto e propósito.
Os momentos de trabalho presencial ganharam um novo significado e têm agora a importante missão de fortalecer relações, acelerar a inovação, promover a troca de experiências e reforçar o sentimento de pertença. O escritório deixa de ser medido pelos metros quadrados que ocupa e passa a ser valorizado pelo impacto que tem nas pessoas. As empresas que compreenderem e se adaptarem a esta mudança estarão mais bem preparadas para atrair, envolver e fidelizar o talento, num mercado em que a experiência do colaborador é, cada vez mais, um dos principais factores de diferenciação.


















