Embora 83% dos jovens prevejam começar a carreira em Portugal, os 17% que ponderam emigrar fazem-no sobretudo por razões económicas. Entre estes, 40,7% apontam salários mais elevados como principal motivo para procurar oportunidades fora do país, seguindo-se as melhores oportunidades de formação e progressão profissional, referidas por 30%. A mobilidade não se limita ao estrangeiro. Cerca de dois terços dos jovens inquiridos admitem mudar de cidade ou região por uma oportunidade profissional, mostrando-se disponíveis para se deslocar quando a proposta de valor justifica a mudança.
Num contexto em que o custo de vida (16%), a crise da habitação (11%) e a instabilidade política e económica (11%) estão entre as principais preocupações , a expectativa salarial ganha uma relevância acrescida. Esta pressão económica reflecte-se nos objectivos de carreira: a principal ambição da nova geração é encontrar um emprego estável e com perspectivas de progressão.
Nesse âmbito, o EMIP conclui que os estudantes universitários e recém-diplomados portugueses esperam receber, em média, 1.325 € líquidos por mês no primeiro emprego, sendo que os homens apontam para um salário médio de 1.412 € líquidos mensais, enquanto as mulheres indicam 1.261 €, revelando uma diferença salarial de 12% ainda antes do início da vida profissional.
No ranking global das empresas mais atractivas, a Google mantém a liderança, seguida da Microsoft e da Deloitte. BMW Group, Sonae, EDP, Bosch, Siemens, Mercedes-Benz e PwC completam o Top 10.
A nível de sectores preferenciais para a entrada no mercado de trabalho, as Tecnologias da Informação e Comunicação surgem como o sector mais atractivo, seguindo-se Consultoria, Automóvel e Transportes, Bens de Consumo e Banca e Seguros.
O EMIP mostra que atrair talento jovem já não depende apenas da notoriedade da marca empregadora. Os jovens procuram organizações capazes de oferecer remuneração competitiva, oportunidades de aprendizagem, qualidade de vida, estabilidade e oportunidades de progressão profissional.
A crescente digitalização dos processos de recrutamento está também a gerar apreensão junto do talento jovem com mais de um quarto dos inquiridos a acreditar que os processos de selecção serão cada vez mais filtrados por Inteligência Artificial. Neste contexto, a possibilidade de exclusão por algoritmos sem qualquer explicação ou feedback surge como uma das preocupações associadas à entrada no mercado de trabalho.
O Estudo das Empresas Mais Incríveis de Portugal recolheu 5.499 respostas, com uma amostra maioritariamente composta por participantes do género feminino (57%), enquanto os participantes do género masculino representam 42%. Em termos de área de formação ou atividade, 38% dos inquiridos pertencem à área de Tecnologia, 38% à área de Gestão e os restantes 24% distribuem-se por outras áreas de conhecimento.














