O que preocupa os gestores financeiros em Portugal?

Os administradores financeiros em Portugal estão menos optimistas quanto ao crescimento económico do país no próximo ano, mas afastam um cenário de recessão. Estas previsões constam do estudo CFO Survey Spring 2019, da Deloitte.  

 

Nesta edição do CFO Survey, um estudo semestral que analisa as expectativas económicas, financeiras e estratégias dos administradores financeiros (CFO) europeus, verifica-se uma descida do nível de optimismo de 70% para 45% em relação às perspectivas económicas do país em 2020.

«A queda da confiança económica dos chief financial officers (CFO) pode estar relacionada com a ideia generalizada de que podemos estar perante um abrandamento do crescimento económico, também associado às tensões geopolíticas», esclarece Nelson Fontainhas, partner e CFO survey leader da Deloitte Portugal. Refere ainda que «depois de dois anos de extremo optimismo, há um arrefecimento na confiança sobre a performance económica».

Mesmo assim, 74% dos CFO em Portugal dizem que é pouco provável que ocorra uma recessão no país nos próximos 18 meses. Na Europa o cenário é idêntico: 57% dos inquiridos acredita que não vai ocorrer uma crise no próximo ano e meio.

Perspectivas de performance
Quanto à evolução da performance financeira das suas empresas, 47% esperam saldo líquido – acima da média europeia – e destacam o crescimento do investimento e a criação de postos de trabalho. No entanto, a maioria dos gestores portugueses (60%) não esconde que o seu negócio enfrenta um elevado nível de incerteza financeira e económica externa.

À semelhança dos resultados do semestre anterior, 74% continua a acreditar que este não é um bom momento para arriscar risco no balanço. Os CFO em Portugal privilegiam medidas de defesa dos seus balanços, como o estabelecimento de novas facilidades de crédito (45%) e a diversificação das fontes de financiamento (43%), mas também dão importância a estratégias de negócio, tais como o aumento do foco em clientes com alta margem (41%) e o aumento da base de clientes e mercados (41%).

«Apesar de continuarem cautelosos, os CFOs em Portugal começam a estar mais propensos à expansão. Nesta edição, verificamos uma diminuição do intervalo entre as estratégias defensivas e expansionistas», constata Nelson Fontainhas

Questionados sobre os factores que podem representar um maior risco para o seu negócio no próximo ano, 82% dos CFOs referem as perspectivas económicas/ crescimento e cerca de metade apontam «os riscos geopolíticos, o aumento da regulamentação, a falta de profissionais qualificados e o risco cibernético».

A redução de custos volta, assim, a surgir como uma prioridade para 85% dos inquiridos. Mas não é a única: segue-se a eficiência do fundo de maneio (74%), a aposta em novos produtos/ serviços (71%), o crescimento orgânico (68%) e o aumento do CAPEX (41%).

Esta edição do CFO Survey contou com a participação de 1473 CFO de 20 países europeus: Áustria, Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Grécia, Holanda, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Polónia, Portugal, Reino Unido, Rússia, Suécia, Suíça e Turquia.

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