O que procuram os talentos digitais?

Titiana Barroso
31 de Outubro 2017 | 10:39

72% dos talentos digitais prefere trabalhar com empresas que tenham uma cultura empresarial que funcione de forma semelhante a uma startup, privilegiando a agilidade e a flexibilidade. Esta é uma das conclusões de um estudo feito pela Capgemini, em colaboração com o LinkedIn.

 

O estudo The Digital Talent Gap – Are Companies Doing Enough? analisou a oferta e procura de talento com competências digitais específicas em vários países e sectores. Todas as empresas inquiridas reconhecem uma falta crescente de recursos com competências digitais.

Mais de metade dos inquiridos (54%) considera que este aspecto funciona como um entrave ao desenvolvimento dos projectos de transformação digital e que, consequentemente, as suas empresas estão a perder competitividade.

Apesar das empresas reconhecerem este défice de talento, a verdade é que 50% afirmou que não está a agir em conformidade. Os orçamentos dedicados à formação não aumentaram e em mais de metade das empresas inquiridas (52%) até diminuíram.

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29% dos trabalhadores considera que as suas competências são ou vão ser obsoletas dentro de dois anos e 38% considera que isso acontecerá em cinco, previsão partilhada com as gerações Y e Z, que consideram que as suas competências vão estar desactualizadas, também, em cinco anos.

50% dos trabalhadores, e 60% dos colaboradores empregados de talento digital (que dominam pelo menos uma capacidade de programar dados) desenvolve as competências digitais pelos seus próprios meios, nos seus tempos livres.

 

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 Alguns sectores são mais afectados que outros

Os trabalhadores do sector automóvel são os que mais temem esta evolução (48%), seguindo-se os trabalhadores do sector bancário (44%), os das utilities (42%), os das telecomunicações e os dos seguros (39% em cada sector).

 Os colaboradores consideram que as formações propostas pelas empresas não são eficazes, com mais de metade a responder que não têm utilidade, ou que não têm tempo para fazer metade, descrevendo-as como “desnecessárias e aborrecidas” (45%).

Estas situações podem levar os colaboradores a sair das empresas. 55% dos talentos digitais está pronto a mudar de emprego se as competências continuarem estagnadas. Ao mesmo tempo, perto de metade dos trabalhadores (47%) afirma estar interessado em empresas que lhes oferecerem a possibilidade de desenvolverem melhor as suas competências.

Por seu turno, os empregadores manifestam-se inquietos por poderem perder os seus trabalhadores mais qualificados. Mais de metade dos empregadores (51%) considera que os seus trabalhadores, uma vez formados irão abandonar a empresa; e 50% afirma que o nível de participação nestas formações continua a ser fraco.

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«soft» skills mais importante do que «hard» skills 

O estudo revela que os perfis com competências digitais ditas «hard» em áreas como a análise avançada, a automatização, a inteligência artificial e a cibersegurança são altamente cobiçados. No entanto, as competências digitais apelidadas de «soft», tais como a capacidade de se adaptar a uma abordagem centrada no cliente e a vontade de aprender, são as mais procuradas pelas empresas, dado que são cada vez mais importantes na profissionalização das funções ligadas à área digital.

51% dos colaboradores aponta a ausência de competências digitais «hard» nas suas empresas e 59% constata falta de competências «soft» dos seus trabalhadores. 72% dos talentos digitais prefere trabalhar com empresas que tenham uma cultura empresarial que funcione de forma semelhante a uma startup, privilegiando a agilidade e a flexibilidade.

Segundo os dados recolhidos a partir do LinkedIn que constam do estudo, o ano passado os perfis de «Data Scientists» e dos programadores «Full Stack » foram os mais procurados.

 

Para o estudo, foram recolhidos testemunhos de 753 empregados e 501 gestores que exercem funções em grandes empresas, com quadros de pessoal de mais de mil colaboradores e volumes de negócio de 500 milhões de dólares em 2016. Os questionários foram feitos entre Junho e Julho de 2017 em nove países: França, Alemanha, Índia, Itália, Holanda, Suécia, Espanha, Reino Unido e EUA, nos sectores automóvel, banca, bens de consumo, seguros, retalho, telecomunicações e utilities.

 

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