A Portugal Fintech apresentou a 8.ª edição do seu relatório, revelando um financiamento acumulado no ecossistema fintech português de 1,16 mil milhões de euros. Foram criadas mais fintechs e a escassez de talento diminuiu consideravelmente.
O interesse internacional às fintechs nacionais continua sustentado e com expressão significativa, com mais de 2/3 das rondas ocorridas em 2024 a contar agora com investidores internacionais, em contraste com menos de metade registados em 2023. Este ano assinala também uma recuperação na criação de novas fintechs, tendo sido 37% superior a 2023, ano com o menor registo.
Apesar do crescimento, persistem desafios. Em 2024, a dificuldade em contratar talento na área tech diminuiu consideravelmente, de 75% para 44%, enquanto os desafios de recrutamento em marketing e vendas aumentaram de 8% para 20%, reflectindo uma transição no ecossistema fintech de desenvolvimento de produto para vendas e expansão comercial.

Outro obstáculo na captação de investimento continua a ser a exigência de métricas de vendas e tracção (41%), seguido pela capacidade de escalar internacionalmente (21%). Dado o pequeno mercado de Portugal, é fundamental fortalecer as estratégias de go-to-market internacionais, com suporte em diplomacia económica e na diáspora para superar os longos ciclos de vendas, sobretudo no sector bancário, onde os processos de procurement podem ser demorados.
Quando se trata de colaboração com incumbentes, 28% das fintechs apontam a disparidade cultural como um obstáculo, e 67% referem que as parcerias demoram mais de um ano a serem fechadas. Para acelerar este processo, é essencial melhorar o canal de interacção e startups com incumbentes.
«Desde o primeiro relatório em 2017, o cenário do sector fintech evoluiu significativamente, não só pela disrupção tecnológica como em adopção do mercado», revela Mariana Gorjão Henriques, membro da direcção da Portugal Fintech. «No entanto os desafios dos longos ciclos de vendas e de escalar internacionalmente continuam a necessitar de atenção. A Inteligência Artificial continua a atrair investidores, sublinhando-se o facto de 71% dos fundadores indicarem o seu impacto positivo na eficiência e produtividade do sector.»
Além das estatísticas do ecossistema, o relatório mapeia e organiza a informação mas relevante sobre as fintechs. O Portugal Fintech Report 2024 explora ainda o papel crescente da IA generativa nos serviços financeiros, com destaque para as suas aplicações na banca, seguros, mercado de trabalho e prevenção de fraudes. São analisadas iniciativas como o SPIN, que permite transferências bancárias usando apenas o número de telefone, o Mydra, uma plataforma focada no impacto da IA nos empregos e o contínuo investimentos da VISA no combate a fraudes nos pagamentos.
O relatório pode ser consultado aqui.














