O seu chefe parece-lhe psicopata? Saiba que uma em cada cinco pessoas em cargos de liderança escondem tendências de psicopatia

Human Resources
29 de Janeiro 2021 | 21:00

Vários estudos indicam que uma em cada cinco pessoas que ocupam postos de chefia ou conselhos de administração de empresas escondem tendências psicopatas, usando alguns traços de personalidade para atrair e manipular pessoas e conseguirem o que querem, revela a BBC News.

Uma pesquisa do psicólogo Paul Babiak mostra que até 4% dos líderes de negócios nos Estados Unidos poderiam ser considerados psicopatas. Outro estudo sobre gestores de logísticas indica que entre 3% e 21% deles sofrem de psicopatia. A prevalência da doença mental na população em geral é de 1%.

Estes números expõem um cenário de líderes de negócios que colocam sua ambição acima de tudo e não têm escrúpulos na hora de usar as pessoas para sua própria vantagem.

Este seria um perfil vencedor no mundo corporativo, mas a ciência tem questionado a ideia de que os psicopatas possam ser tão apropriados para estes cargos como sugeriram estudos anteriores.

Segundo um estudo da Universidade de Denver e da Universidade de Berkeley, os gestores de fundos de investimentos com características psicopatas têm uma performance pior que seus colegas. O estudo comparou traços de personalidade de 101 profissionais dessa área com seus investimentos e retornos financeiros e concluiu que os gestores com mais tendências psicopatas produziram os piores resultados.

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Leanne ten Brinke, principal autora da pesquisa, acredita que esteja na hora de repensar velhas premissas de que ser frio e impiedoso sejam características positivas de chefes e gestores.

«Os psicopatas têm uma probabilidade maior de chegar ao poder através do bullying e da intimidação em vez de por respeito. No entanto, conquistar poder não é o mesmo que exercê-lo de maneira eficaz», refere Leanne ten Brinke.

Outro estudo apontou que, apesar de seu charme, psicopatas provocam comportamentos contraproducentes, bullying e conflitos no local de trabalho, assim como menor satisfação dos colaboradores.

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Ainda assim, há alguns postos onde ser um psicopata pode ser bom. Kevin Dutton, investigador de psicologia da Universidade de Oxford, afirma que além de ter as capacidades certas para o emprego, a personalidade também tem uma importância grande sobre como alguém vai se comportar no local de trabalho.

«Algumas profissões requerem níveis mais altos de traços psicopatas, de uma maneira que pessoas sem a doença não se sentem confortáveis», afirma Kevin Dutton.

Enquanto claramente há algumas características que podem ser más para o negócio, o impacto das características de personalidade podem depender do contexto.

«Se traços psicopatas são úteis vai depender do contexto. Ser impiedoso não é algo errado mas no contexto errado pode tornar-se crueldade. Não ter medo também pode ser uma vantagem, mas no contexto errado pode ser irresponsabilidade. O segredo é ter a combinação certa de traços nos níveis certos e no contexto certo», refere o investigador Robert Livingston.

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