A entrada no ensino superior representa uma nova etapa para os estudantes e para as suas famílias. Quando a colocação implica mudar de cidade, juntam-se à propina e aos materiais académicos despesas com alojamento, alimentação, transportes e instalação que podem pesar significativamente no orçamento familiar.
Além dos encargos mensais, existem custos que surgem ainda antes da primeira aula, como a caução, as rendas antecipadas, a mudança, as compras para a casa ou a aquisição de equipamentos informáticos. Por isso, preparar esta transição exige um planeamento que considere todo o ano letivo e não apenas o primeiro mês.
Temas financeiros a considerar antes do início das aulas:
1) Mapear todas as despesas antes de definir o orçamento
O primeiro passo passa por identificar todos os custos associados à mudança e à frequência do ensino superior noutra cidade. Para facilitar este levantamento, as despesas podem ser divididas em cinco grupos: instalação, encargos mensais, custos académicos, gastos pessoais e despesas irregulares. Esta separação permite perceber quanto será necessário no início e qual será o esforço financeiro ao longo do ano.
2) Avaliar o custo total do alojamento
A renda será, provavelmente, a maior despesa mensal, mas o preço anunciado não deve ser o único critério de decisão. Antes de escolher um quarto, uma residência ou uma casa partilhada, é importante perceber que despesas estão incluídas, se o contrato dura 10, 11 ou 12 meses, se o estudante pode permanecer no alojamento durante as férias e os exames e se existem encargos adicionais com electricidade, água, gás, internet ou aquecimento.
A localização também deve ser ponderada. Um alojamento mais barato e distante da instituição de ensino pode implicar mais tempo em deslocações, vários meios de transporte ou custos adicionais que acabam por reduzir a poupança inicial.
3) Antecipar cauções e rendas iniciais
O início de um contrato de arrendamento pode exigir um esforço financeiro elevado. Por acordo escrito, o senhorio pode pedir até duas rendas antecipadas e uma caução correspondente a duas rendas.
Antes de transferir qualquer valor, deve confirmar-se a identidade do senhorio ou da agência, visitar o imóvel ou solicitar uma videochamada em directo, exigir condições escritas e utilizar meios de pagamento rastreáveis. Também é aconselhável guardar o anúncio, o contrato, os comprovativos e fotografias do estado do imóvel.
4) Contabilizar todos os custos académicos
A propina deve ser incluída no orçamento anual, mesmo quando é paga em prestações. Para 2026/2027, o valor máximo aplicável aos CTeSP, licenciaturas e mestrados integrados em instituições de ensino superior públicas mantém-se nos 697 euros. Nos restantes ciclos de estudo e no ensino privado, o valor deve ser confirmado directamente junto da instituição.
Também devem ser considerados custos com matrícula, livros, software e outros materiais obrigatórios. Antes de comprar, é aconselhável aguardar pelas indicações dos docentes e verificar alternativas como bibliotecas, formatos digitais ou equipamentos disponibilizados pela instituição.
5) Confirmar as necessidades informáticas antes de comprar
Um computador pode representar um dos maiores custos iniciais, sobretudo em cursos que exigem programas ou características técnicas específicas. Antes da compra, é importante confirmar junto da instituição quais são os requisitos relativos ao sistema operativo, memória, armazenamento, placa gráfica e software obrigatório.
Também deve verificar-se se existem laboratórios, licenças académicas ou equipamentos disponíveis para empréstimo. Esta análise pode evitar uma compra desnecessária ou a aquisição de um equipamento que não responda às necessidades do curso.
6) Calcular os custos com alimentação e deslocações
A estimativa das despesas com alimentação deve considerar as refeições feitas no alojamento, na cantina e fora de casa. É igualmente importante consultar os preços e os horários das cantinas, incluindo a disponibilidade de refeições ao jantar e aos fins-de-semana.
Nos transportes, devem ser contabilizadas as deslocações diárias na cidade universitária e as viagens entre a universidade e a residência da família. O Passe Gratuito para Jovens pode abranger algumas destas deslocações, mas a gratuitidade não significa necessariamente que todas as viagens a casa estejam incluídas. Por isso, devem ser confirmadas as ligações abrangidas e acrescentados ao orçamento eventuais bilhetes de comboio, autocarro, bagagem ou transportes nocturnos.
7) Procurar bolsas, apoios e benefícios fiscais
As bolsas de estudo e os apoios ao alojamento podem ajudar a reduzir o esforço financeiro das famílias. A candidatura e os respectivos prazos devem ser confirmados junto da Direcção-Geral do Ensino Superior ou dos Serviços de Acção Social da instituição.
Também podem existir benefícios fiscais associados ao alojamento de estudantes deslocados. Quando o estudante tem até 25 anos e estuda a mais de 50 quilómetros da residência permanente do agregado familiar, pode ser possível deduzir 30% das rendas suportadas, até ao limite anual de 400 euros.
Nestes casos, o limite global das deduções de despesas de educação no IRS pode aumentar de 800 para 1.100 euros. Para beneficiar desta dedução, os documentos devem identificar o arrendamento como destinado a estudante deslocado e a informação deve ser correctamente comunicada à Autoridade Tributária.
8) Criar uma reserva e rever o orçamento após o primeiro mês
Além das despesas regulares, é importante prever uma verba para gastos pessoais e imprevistos, como higiene, lazer, medicamentos, reparações ou viagens urgentes. Excluir estas despesas pode levar o estudante a utilizar dinheiro destinado à renda ou à alimentação.
O orçamento deve ser revisto após o primeiro mês de aulas. Esse período permitirá perceber quanto é efectivamente gasto em alimentação, deslocações, lazer e outras despesas pessoais, ajustando os limites definidos sem comprometer o pagamento do alojamento ou a reserva para imprevistos.



















