O work-life integration não dispensa férias. Como conjugar estes dois mundos?

Ivânia Capelo, HR manager da Decode, aborda o tema do work-life integration e reflecte sobre esta forma aberta de gerir e conciliar a vida pessoal e profissional, desencadeando produtividade e bem-estar e a importância dos momentos de descanso.

Por Ivânia Capelo, HR manager na Decode

 

Com o decorrer dos tempos, percebe-se que o modelo de work-life balance, outrora na vanguarda, está a perder terreno. O balanço entre a vida laboral e a pessoal parece ser, numa primeira instância, aquilo que os profissionais precisam, até porque ajuda na promoção da saúde mental. Mas há camadas neste conceito que também nos incapacitam.

O apoio à família, uma caminhada pós-almoço, a realização de tarefas domésticas ou uma simples ida aos correios e ao banco durante o horário laboral eram situações dificilmente atingíveis. E foi a pensar nisso que surgiu o work-life integration – que se foca não num balanço, mas numa conciliação diária entre o emprego e a vida pessoal.

Este conceito pretende incentivar a felicidade nos profissionais, dando-lhes a oportunidade de tornar o seu período laboral mais eficiente em diferentes escalas e largar a máxima de “viver para trabalhar”. A sensação de termos a vida organizada, de forma equilibrada e tranquila, permite que nos possamos sentir bem física e psicologicamente.

Os períodos de descanso são igualmente importantes para a nossa saúde e bem-estar. Ainda que com o work-life integration seja possível levar os filhos à escola ou marcar aquela consulta, que antes teria de ser adiada 3x por incompatibilidade de agenda com uma reunião importante, continua a ser necessário recarregar baterias.


A integração da vida pessoal e profissional prejudica as férias?

Irá sempre depender do que quisermos, mas evitar que isto aconteça não só está ao nosso alcance, como até é relativamente fácil de assegurar. Para tal, é preciso garantir uma soft skill importante: a organização.

Antes de irmos de férias importa alinharmos com o nosso superior ou equipa os projectos a dar continuidade na nossa ausência, deixar uma mensagem de aviso para todos os stakeholders com o período em que estaremos ausentes, bem como a pessoa de contacto em caso de urgência. E, claro, não deixar nenhuma “batata quente” nas mãos dos nossos colegas, com uma sobrecarga gigante de trabalho que nos estava atribuído.

Com a garantia destes pontos, pode-se então entrar nas tão aguardadas férias. O momento ideal para parar, pensar, descansar, reflectir, inspirar, ter novas ideias, dedicarmos tempo à família e aos amigos ou fazer actividades que não nos são usuais.

Mas este descanso não implica que seja necessário colocar uma barreira total e intransponível sobre qualquer tópico relacionado com o trabalho. As férias podem também ser um óptimo período para reflectirmos sobre novos objectivos profissionais ou até mesmo para pensarmos numa ideia brilhante para novos projectos, uma vez que a nossa mente já não está a viver na pressão diária de deadlines e de uma produção non-stop.

Não existe algo linear que deva ser feito. A reflexão sobre o que fizemos ou o que podíamos ter feito de forma diferente no trabalho é tão válida como apenas partilhar momentos com amigos e família e isolar-se da bolha profissional. E a verdade é que até conversas informais de partilhas de experiência com quem nos é próximo nos pode levar a beber da cultura de outras pessoas ou empresas e explorar novas formas de trabalhar, assim como ferramentas a serem utilizadas.

Desta forma, estamos a abrir novos horizontes, sem despender de grande energia, ao mesmo tempo que aproveitamos a companhia de quem nos é importante. E no regresso ao trabalho estaremos mais predispostos a novas ideias, novas partilhas, novos projectos e igualmente motivados para abraçarmos os próximos meses de trabalho.

Seja o que for que optarmos por fazer durante as férias, o objectivo deverá ser sempre o mesmo: podermos aproveitar o melhor que a vida nos tem para oferecer, de acordo com as prioridades de cada um. É essa a filosofia do work-life integration e o motivo pelo qual tem todas as condições para ser implementado pelos profissionais na busca pelo seu bem-estar.

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