OCDE: Expectativas de carreira dos alunos de 15 anos reflectem fortes estereótipos

Os adolescentes de 15 anos passam cada vez mais tempo ao computador. De acordo com o mais recente Programa de Avaliação Internacional de Alunos (PISA) da OCDE, uma pesquisa trienal com alunos de 15 anos, os jovens passam mais 14 horas online por semana do que há seis anos – o consumo aumentou das 21 horas por semana no PISA 2012 para as 35 horas por semana nesta última pesquisa de 2018, quase o equivalente a uma semana de trabalho dos adultos.

 

A avaliação da OCDE centra-se na proficiência em leitura, matemática, ciências e um domínio inovador – em 2018, o domínio inovador era a competência global – e no bem-estar dos alunos.

Em 2018, Portugal marcou pontos na leitura, matemática e ciências, sendo um dos poucos países com uma trajectória positiva de melhoria nas três disciplinas. Para o resultado contribuiu o contexto socio-económico do país – os alunos favorecidos superaram os alunos desfavorecidos em 95 pontos no PISA 2018. Portugal regista apenas três em cada quatro alunos desfavorecidos com alto desempenho, embora quase todos esperem concluir o ensino superior.

As expectativas de carreira dos alunos de 15 anos reflectem fortes estereótipos, como avança o PISA 2018. Entre os alunos com alto desempenho em matemática ou ciências, cerca de um em cada dois rapazes em Portugal espera trabalhar como engenheiro ou profissional da área das ciências aos 30 anos – no sector feminino, apenas uma em cada sete espera fazê-lo. Por outro lado, uma em cada duas meninas espera trabalhar em profissões relacionadas com a área da saúde, enquanto apenas um em cada sete meninos espera fazê-lo. Apenas 6% dos rapazes e 1% das raparigas em Portugal esperam trabalhar em profissões relacionadas com as TIC.

A mesma pesquisa de 2018 avança que nos países da OCDE, em média, cerca de 88% dos alunos têm ligação à Internet em casa e um computador que usam para fazer trabalhos escolares – 28 pontos percentuais a mais do que no PISA 2003.

Existem também diferenças consideráveis ​​entre os países da OCDE. Em média, 54% dos alunos relataram ter tido formação na escola sobre como reconhecer se as informações são ou não tendenciosas, sendo que mais de 70% dos alunos receberam essa formação na Austrália, Canadá, Dinamarca e Estados Unidos, mas menos de 45% dos alunos terão recebido a mesma formação em Israel, Letónia, República Eslovaca, Eslovénia e Suíça.

O clima das escolas foi também um dos pontos avaliados no estudo da OCDE. Em Portugal, 14% dos estudantes relataram ter sofrido bullying pelo menos algumas vezes por mês, em comparação com a média de 23% nos países da OCDE. Ainda assim, 94% dos alunos em Portugal (e, em média, 88% dos alunos nos países da OCDE) reconhece que é positivo ajudar os alunos que não podem se defender.

Confira aqui todos os resultados que Portugal obteve no PISA 2018.

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