OCDE revê em alta crescimento do PIB português para 1,7% em 2024

Human Resources com Lusa
5 de Dezembro 2024 | 18:40

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) reviu em alta a previsão do crescimento da economia portuguesa para 1,7% em 2024, mantendo a estimativa de 2% para 2025, segundo um relatório divulgado.

 

Apesar desta revisão em alta, que compara com uma estimativa de 1,6% em maio, a previsão da OCDE continua abaixo da projecção do Governo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, que é de 1,8%, bem como para o próximo ano, de 2,1%.

Enquanto o rendimento disponível e o consumo privado estão a aumentar, nomeadamente com as reduções de impostos, as receitas do turismo moderaram-se e persiste a escassez de mão-de-obra.

A OCDE aponta, no relatório Economic Outlook, que «os fundos europeus e uma política monetária mais flexível estão a impulsionar o investimento», enquanto a «recuperação projectada da actividade nos parceiros comerciais europeus apoiará as exportações».

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«O forte crescimento salarial e as elevadas taxas de emprego vão aumentar o consumo, especialmente à medida que a inflação e os custos do serviço da dívida diminuem», nota a organização, admitindo que ainda que os cortes de impostos, aumento das transferências sociais e os salários públicos mais elevados apoiem os rendimentos das famílias, «também abrandarão o declínio da inflação».

A previsão da OCDE para a inflação em Portugal, medida pelo índice harmonizado, é de uma taxa de 2,7% em 2024 e 2,2% em 2025.

«A inflação global dos preços no consumidor moderar-se-á para 2,1% até 2026, à medida que os preços da energia e dos produtos alimentares se estabilizarem e as pressões sobre os preços dos serviços diminuem lentamente», prevê a organização.

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Entre os riscos para estas projeções encontra-se uma nova diminuição da taxa de poupança das famílias e uma evolução salarial mais forte do que o esperado, que «fortaleceriam o consumo, mas também alimentariam a inflação».

Por outro lado, a implementação do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) «poderá materializar-se mais lentamente do que o previsto, implicando um menor crescimento e inflação mais baixa».

A OCDE tem ainda estimativas que apontam que «os excedentes orçamentais persistentes e o elevado crescimento nominal irão reduzir a dívida pública para 89,3% do PIB em 2026».

Quanto às recomendações, a organização diz que é «necessário um crescimento sustentado da produtividade, um aumento do emprego e uma despesa pública mais eficiente para enfrentar o rápido envelhecimento da população e necessidades significativas de investimento, nomeadamente em capital humano».

A OCDE aconselha ainda o fortalecimento da tributação ambiental e patrimonial, «protegendo simultaneamente os grupos vulneráveis», bem como reduzir as barreiras à entrada nos serviços e melhorar os serviços de acolhimento de crianças para famílias de baixos rendimentos, que «poderiam aumentar ainda mais a participação das mulheres na força de trabalho e aliviar a escassez de mão-de-obra».

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