Ofertas de emprego sem candidatos duplicou. São estas as áreas com mais vagas disponíveis

Human Resources
6 de Setembro 2021 | 09:33
Ofertas de emprego sem candidatos duplicou. São estas as áreas com mais vagas disponíveis

O Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) registou, em Julho, 23.236 empregos disponíveis que ninguém quer e cerca de metade referente a três sectores: actividades imobiliárias e administrativas, alojamento e restauração, e construção, avança o Jornal de Notícias.

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De acordo com a publicação, o número de ofertas de emprego sem candidatos mais do que duplicou desde Janeiro deste ano, passando de 10 735 para 23 236. Poder-se-ia pensar que o aumento é sazonal devido aos empregos de verão, mas a verdade é que em Julho do ano passado as vagas eram apenas 12 705 e, no mesmo mês de 2019, antes da pandemia, situavam-se nos 19 294. É preciso recuar a 2017 para encontrar um Julho com mais ofertas de emprego do que este ano. Em, 2017, havia 24 335.

A região de Lisboa e Vale do Tejo é a que acumula mais ofertas sem candidato. São 7434 vagas, contra as 5819 no Centro, 4824 no Norte, 3565 no Alentejo, 1026 no Algarve e 568 nas regiões autónomas.

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A nível nacional, as actividades imobiliárias e administrativas são as que têm mais vagas disponíveis, seguidas do alojamento e restauração e da construção. No entanto, uma análise regional permite perceber que tanto em Lisboa e Vale do Tejo como no Norte a maior procura é por profissionais da construção. As atividades imobiliárias são as mais pretendidas no Centro e Alentejo, ao passo que no Algarve é o alojamento e restauração.

A publicação revela que em Julho, havia mais de 5000 trabalhadores da construção desempregados no Norte e quase 3600 em Lisboa. Ou seja, há desempregados inscritos nas áreas a que as ofertas dizem respeito, mas este “casamento” não aconteceu, pese embora o sucesso dos programas que promovem o regresso ao mercado de trabalho.

João Cerejeira professor da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho e especialista em mercado laboral, em declarações ao Jornal de Notícias aponta vários fatores para a subida do número de ofertas: «Por causa das medidas de apoio da pandemia, a exigência para a manutenção do subsídio de desemprego é menor, e em empregos em que os salários do mercado são muito próximos do valor do subsídio, aí há claramente um incentivo a não haver uma procura tão forte».

Depois, as restrições à mobilidade internacional ocorridas em pandemia também foram decisivas para adensar o fenómeno, entende o professor de Economia. «Algumas das ofertas, nomeadamente na construção e restauração, eram ocupadas por imigrantes». João Cerejeira dá o exemplo do Brasil, cuja quarentena obrigatória à chegada a Portugal só foi suspensa na passada quarta-feira.

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Por fim, em particular no sector da construção, a expansão a nível europeu que o sector está a enfrentar, associada ao facto de «haver muito menos apetência para estes setores de mão de obra mais intensiva e de salários mais baixos», gera a tempestade perfeita que culmina na falta de gente para trabalhar. A falta de apetência para o trabalho mais intensivo deriva do aumento da escolarização, quebra do abandono escolar e número recorde de jovens no Ensino Superior.

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