O Turismo português está a transformar-se, com 67% das empresas a recrutarem durante todo o ano e não apenas na época alta, segundo o Tourism Talent Report 2026, elaborado pela Bolsa de Empregabilidade.
O estudo, que analisou dados de 111 empresas e 5.346 candidatos recolhidos nas cinco Feiras de Emprego do Turismo realizadas entre Janeiro e Março deste ano, revela que 68% das empresas ainda contratam para responder às necessidades sazonais, mas quase o mesmo número procura profissionais para equipas permanentes e carreiras de longo prazo.
Apesar desta mudança, o sector enfrenta dificuldades significativas no recrutamento. Oito em cada dez empresas admitem ter problemas em encontrar candidatos qualificados, identificando a escassez de talento como o maior entrave ao crescimento.
Outros desafios apontados incluem a elevada rotatividade dos colaboradores (42%), indisponibilidade para horários (35%), falta de candidatos (33%), expectativas salariais elevadas (27%) e dificuldade em atrair talento jovem (20%).
O estudo destaca que o problema não está apenas na quantidade de candidatos, mas sobretudo na dificuldade em encontrar profissionais com competências técnicas, experiência e disponibilidade adequadas.
Employer branding ganha importância estratégica
O relatório evidencia ainda que 73% das empresas investem activamente em employer branding, utilizando redes sociais, eventos presenciais e os seus websites para atrair profissionais. Apesar do papel crescente dos canais digitais, o contacto presencial mantém-se decisivo para o recrutamento e para construir relações de confiança.
As Feiras de Emprego consolidam-se como um dos canais mais eficazes para identificar talento qualificado, confirmando a importância do contacto directo entre empresas e candidatos.
Perfil dos candidatos desafia percepções
Entre os candidatos analisados, 44,1% possuem ensino secundário, 32,8% são licenciados e 10,1% têm grau de mestre. Quase metade (47,4%) já tem experiência no sector do Turismo, enquanto apenas um terço apresenta formação específica na área, mostrando que o sector atrai profissionais de diversos percursos.
O estudo revela também uma crescente diversidade internacional entre os profissionais presentes nas Feiras, reflectindo a internacionalização da força de trabalho no sector.
Quase 30% dos candidatos participam nas Feiras para conhecer empresas e oportunidades, enquanto outros procuram fazer networking, mudar de carreira ou adquirir conhecimento sobre o sector, indicando que a reputação das organizações e a sua proposta de valor são factores decisivos na decisão de candidatura.
«Os resultados demonstram que o Turismo português entrou numa nova fase. O desafio já não é apenas recrutar pessoas para responder aos picos de actividade, mas construir relações duradouras entre empresas e talento. As organizações que conseguirem afirmar-se como marcas empregadoras fortes serão as mais bem preparadas para competir num mercado onde os profissionais têm cada vez mais opções», afirma António Marto, fundador da Bolsa de Empregabilidade.



















