Oito ideias (da directora-geral da Microsoft) para um reset pós-pandemia bem-sucedido

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, foi keynote speaker na 19.ª edição da Conferência Human Resources. E identificou ideias fundamentais para que as empresas possam ser bem-sucedidas, n’ “o dia seguinte” à pandemia que veio mudar o mundo, as empresas e as pessoas.

 

Perante o tema “reset”, Paula Panarra começou por reconhecer que o reset inicial a que se assistiu, foi forçado pela COVID-19, pois «todas as organizações se viram, por motivo de saúde pública, obrigadas a mudar a forma como se organizam e trabalham. Foi um reset brusco, uma transformação que acabou por acontecer por necessidade.»

De acordo com um estudo da IDC, citado pela responsável, em dois ou três meses, Portugal assistiu a um fast forward,  a um salto tecnológico, que equivale a uma década. «Uma série de tecnologias já disponíveis nas empresas portuguesas tiveram repentinamente que ser usadas nestes novos processos de trabalho, promovendo-se uma aprendizagem remota. A maioria das empresas, principalmente de prestação de serviços, conseguiram, de forma mais rápida ou mais lenta, adaptar-se e continuar a sua operação.»

Mas, na opinião da líder da Microsoft Portugal, fundamental é que, depois deste reset forçado e repentino, haja oportunidade de fazer o reset seguinte. «Não vamos regressar a Março, vamos iniciar uma nova jornada de desenho das organizações, dos processos, até mesmo dos próprios formatos de serviço, e a digitalização vai ter que fazer parte dessa transformação e deste reset, que vai passar por muito do que de essencial já se tinha nas organizações, mas tirando partido deste salto tecnológico, para fazer uma transformação de fundo para esta nova economia.»

Paula Panarra defendeu ainda que a pandemia permitiu confirmar que os modelos de trabalho híbridos, que permitem uma maior flexibilidade na forma de trabalho, e que são modelos que trazem um maior equilíbrio com a vida pessoal, em muitos casos trazem também mais produtividade. E revelou que 71% das pessoas inquiridas pela Microsoft gostava de poder continuar a ter a opção de trabalhar remotamente.

Acreditando que a digitalização vai ser fundamental para os negócios do futuro  – e que o futuro do trabalho vai passar por novos formatos – , Paula Panarra partilhou oito ideias fundamentais para que o “próximo reset” tenha sucesso.

1. Propósito

O que se faz, deve estar alinhado com o propósito da nossa organização, porque vai ser fulcral para nos reinventarmos e captar a energia e o employee engagement. A Microsoft já tinha um modelo de trabalho mais flexível, mas houve necessidade de, servindo a sua missão e o seu propósito, disponibilizar a sua tecnologia a muitas organizações como escolas para capacitá-las.

 

2. Empatia

A importância de uma comunicação clara, a necessidade de um suporte adicional, foi fundamental durante o período que vivemos, mas a empatia também é essencial quando se redesenha um novo produto ou serviço para o cliente.

 

3. Calma, clareza e confiança

Apesar de a Microsoft já ter a política de trabalhar remotamente, passaram a haver reuniões semanais. A calma é sempre necessária para implementar mudanças.

 

4. Reflexão e acção

É necessário reflectir rápido e de forma abrangente, porque é a partir dessa reflexão que a acção vai ser mais eficiente.

 

5. Inspirar

Este é o papel dos líderes, de todos os managers e gestores. No caso da Microsoft, a melhor forma de inspirar foi a partilha dos casos de clientes, de parceiros, de instituições, de escolas, que, ao longo deste período, a empresa conseguiu ajudar.

 

6. Resiliência

Este não vai ser um sprint, vai ser uma maratona de transformação para as pessoas, organizações e negócios. Portanto, a construção destes mecanismos de resiliência dentro da organização vai ser fundamental para o sucesso.

 

7. Growth mindset

Estar disponível para inovar e para olhar de facto para as alterações necessárias, sejam elas do ponto de vista de negócio, sejam elas do ponto de vista de processos que este reset vai exigir.

 

8. Coragem

Vai ser preciso coragem para assumir que é preciso mudar e fazer diferente. Alterar a cultura e os processos.

 

Paula Panarra frisou ainda que, para o sucesso deste reset, é necessário haver uma cultura de inovação aberta e deve-se repensar os processos para servir os clientes. Mas reconheceu que «as pessoas não estão totalmente preparadas. Por isso, o plano de competências vai ser fundamental para a agilidade com que as novas transformações vão produzir os resultados pretendidos», acrescentou.

Conclui, reiterando: «A diferença é que o reset que fizemos foi forçado e o reset que temos pela frente pode ser planeado, ainda que com muitas incertezas. Este reset não deve ser apenas um episódio, mas o início de uma jornada de transformação para a digitalização, que vai certamente tornar as organizações e a economia portuguesas mais fortes.»

Texto: Margarida Lopes

 

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