Charlie Chaplin disse-nos: «You will never find a rainbow if you’re looking down.» Olhem para cima! Já Leonardo DiCaprio, mais recentemente, afirmou: «Don’t look up». Então, em que é que ficamos? Cabisbaixos ou de cabeça no ar?
Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs
Claramente, se somos o que vemos, teremos uma visão muito mais limitada do mundo se andarmos sempre de “cabeça para baixo”. Temos receio de andar com “a cabeça no ar” e, muitas das vezes, travamos a nossa própria imaginação e secamos a nossa fonte das ideias.
Nas sociedades e nas organizações das “cabeças baixas” não se fazem ondas, fica-se na areia, no aparente conforto da toalha… ou molha-se apenas a pontinha dos pés! Em contextos empreendedores, olha-se não só para cima, como também para todos os lados, e até debaixo das pedras e das conchas que aparecem no caminho. Surfam-se e constroem-se ondas, em nome da inovação e da procura de novas oportunidades.
Parece-me uma combinação muito feliz, a da água e do Sol, principalmente no Verão. Mas, por vezes, juntam-se umas gotinhas de chuva, pela manhã. E nós o que fazemos? (Eu, pelo menos, falo por mim…) Reclamamos. É um verdadeiro balde de água fria…
Se fossemos mais a fundo nas nossas observações, nos nossos mergulhos, saberíamos o que acontece quando há chuva seguida de iluminação solar. Sim, é o arco-íris! Óbvio. Que todos adoramos por ser muito instagramável. Só há uma pequena nuance que devemos registar sobre este assunto (enquanto vos atiro mais água fria)… Já devem estar mesmo a (não) ver. O arco-íris não existe. É uma ilusão óptica. Um fenómeno cuja visualização depende da posição de quem o observa, uma belíssima ocorrência óptica de decomposição da luz solar no seu espectro luminoso. Pode ser observado sempre que existirem gotículas de água suspensas no ar e luz do Sol a brilhar, acima do observador.
Sublinho o parte do a brilhar, acima do observador. Ou seja, convém olhar para cima. Metáforas à parte, com a frescura da água da chuva e a intensidade do calor do Sol, podemos explorar e encontrar oportunidades: os tais arcos-íris. Sabendo que nem todos os vão ver (ainda bem!), mas que eles estão lá.
Tal como a própria cultura empreendedora, o arco-íris só aparece mediante certas condições atmosféricas. E quando somos confrontados com uma sinfonia de sete cores, abre-se uma janela de possibilidades e de combinações improváveis. Aproveitemos a maré das oportunidades!
Hoje é o segundo melhor dia para se começar a fazer algo, por exemplo, plantar uma árvore, ou semear uma mentalidade empreendedora nas organizações. O melhor dia foi ontem e, antes disso, anteontem (adaptação muito livre de um provérbio chinês).
Humanos como somos, através do pensamento contrafactual, tentamos imaginar como seria a realidade se tivéssemos tomado decisões diferentes. Com pensamento crítico e criatividade, podemos agir – hoje – com maior intenção. Melhor do que imaginar como poderia ter sido, é olhar para uma obra feita, para uma cultura que se expande e que prospera.
Recordo-me de ver chover no Verão (meu querido mês de Agosto!) e de sentir calor no Inverno. E isto não é imaginação, são as alterações climáticas dos nossos tempos e que sentimos na pele. São os nossos olhos a dizer que o tempo já não é o que era, e que podem germinar ideias e conceitos vencedores em todas as estações, entre raios de Sol e gotas de água. A nós, empreendedores, compete-nos juntar o sal, a gosto.
Sejamos astronautas-terrestres, olhemos para cima com pés assentes na terra. Procuremos o mais espectacular arco-íris, aquele que aparece quando metade do céu ainda está escuro com nuvens de chuva e nós, observadores, estamos num local com céu claro.
Não são tempos assim tão modernos, estes em que vivemos. Mas são os melhores tempos que temos para fazer algo, deixar uma marca e colher os frutos. E continuar a semear, dia após dia, mesmo sob condições adversas.
Olho para cima e penso: o que será que iremos encontrar no final do arco-íris, Charlie Chaplin?
Este artigo foi publicado na edição de Agosto (nº. 152) da Human Resources, nas bancas.
Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.














