O bastonário da Ordem dos Médicos defendeu a criação de um novo Serviço Nacional de Saúde (SNS) para acompanhar a evolução e a modernização da sociedade, apostando numa reforma de fundo.
«Precisamos de um novo SNS. A estrutura da população mudou. Temos uma população muito mais envelhecida e mais exigente do ponto de vista do cuidado. Temos uma ciência, uma tecnologia e uma medicina que evoluíram muito nas últimas décadas, mas parece que os nossos governantes olham para o SNS como há 40 anos», afirmou à Lusa Carlos Cortes.
Para o bastonário, o país precisa de «uma reforma de fundo do SNS, que integre as necessidades dos médicos, mas também de novos modelos organizativos», disse Carlos Cortes, após uma reunião com médicos das diferentes especialidades no Hospital de Caldas da Rainha, que integra o Centro Hospitalar do Oeste (CHO).
Segundo o bastonário, a intervenção na saúde tem-se resumido a «pequenos remendos e pensos rápidos, que não resolvem absolutamente nada, apesar de no momento parecerem ser uma solução».
«Veja-se o problema das maternidades, que se arrasta há mais de um ano, o problema da urgência, que cada vez está pior, o problema dos cuidados de saúde primários, com cada vez mais utentes sem médico de família. É preciso uma reestruturação profunda do SNS e repensar a saúde de uma forma moderna», deixando de «viver nas glórias do passado» do SNS.
Carlos Cortes considerou que a solução não passa pela criação de mais Unidades Locais de Saúde (ULS), pois «os piores hospitais», aqueles que têm «mais dificuldades, estão integrados em ULS», tais como Beja, Portalegre, Santiago do Cacém, Guarda, Castelo Branco, Bragança e Viana do Castelo.
«Matosinhos é uma excepção porque é uma ULS urbana, onde tudo está numa cidade. Não podemos aferir dos resultados de Matosinhos para o resto do país», observou.














