Os desafios da Comunicação Interna na era digital

É necessário repensar a Comunicação Interna e adoptar estratégias voltadas para a Era Digital que acompanhem os desafios e as exigências a nível interno.

 

Por Maria Bandeira da Palma, Manager da área de Consultoria da Neves de Almeida | HR Consulting

 

Na Era do Digital e analisando as tendências emergentes, surge a necessidade de reflectir sobre o impacto que estas mudanças têm no comportamento e nas expectativas das pessoas, nomeadamente a nível organizacional.

O novo paradigma imposto pela evolução tecnológica, com o desenvolvimento da inteligência artificial, o aumento do volume, acessibilidade e velocidade da informação, mas também as alterações das necessidades e expectativas do público, aliadas à desconfiança da comunicação formal, trazem novos de- safios para as organizações, independentemente do seu sector e dimensão.

É necessário repensar a comunicação interna e adoptar estratégias voltadas para a Era Digital que acompanhem os desafios e as exigências a nível interno. O tema não é novo. Em estudos de clima, globais e de mercado, as conclusões não deixam dúvidas. Ultimamente, verificam-se lacunas ao nível da Comunicação Interna, nomeadamente no que diz respeito à satisfação e exigências dos colaboradores, e que impactam negativamente as organizações. Os colaboradores esperam que a comunicação se torne mais transparente, mais adequada, mais adaptada e mais acessível.

As formas e meios de comunicação alteraram-se ao longo do tempo e os colaboradores tornaram-se mais impacientes, exigindo que a informação chegue até eles, em vez de despenderem tempo a encontrá-la. Normalmente, são sobrecarregados com informação do exterior, pouco direccionada e apelativa, e a informação interna é deixada para trás.

No que diz respeito ao feedback, esta ainda não é uma prática instituída, pelo menos de forma estruturada e regular. Além disso, as organizações têm-se deparado também com novas exigências a nível geracional, como é o caso da geração dos millennials, profundos conhecedores das novas tecnologias, orientados para o digital e para os dispositivos móveis.

Para fazer face a estes desafios, algumas organizações já estão a adoptar uma visão holística, onde a estratégia de Comunicação Interna surge como um tema central, alinhado com o propósito, a missão, a visão e a cultura organizacional. Paralelamente, e à semelhança daquilo que se faz para o exterior, tem-se verificado uma aposta mais forte em abordagens integradas de Marketing para comunicar e partilhar internamente materiais informativos, atractivos, úteis e relevantes para os colaboradores. Um Employer Branding adequado faz com que os colaboradores vivam a organização e a promovam.

Por outro lado, a Comunicação Interna tende a ser tratada como um processo de transmissão tradicional, top down, correndo o risco de se tornar irrelevante, desinteressante e pouco atractiva para os colaboradores, não surtindo o efeito desejado. É necessário incentivar e investir mais na comunicação peer to peer e down-up. Urge, cada vez mais, encetar uma comunicação multidireccional, com informação descentralizada, na medida em que isso facilita a participação dos colaboradores, faz com que se sintam ouvidos e, quando a ideia é considerada, que se sintam responsáveis por ela. Este tipo de comunicação, aliada a um feedback regular e estruturado, faz com que os colaboradores estejam envolvidos e comprometidos com a concretização dos objectivos organizacionais.

Adicionalmente, o acesso a ferramentas e tecnologias mais sofisticadas tem trazido inúmeras oportunidades na forma de direccionar e adaptar a Comunicação Interna para os diferentes públicos. Por exemplo, a utilização de aplicações móveis, informações instantâneas, vídeos, rápidos e mesmo jogos, permitem tornar a comunicação mais adequada, dinâmica, rápida e envolvente. Estas ferramentas têm criado muitas oportunidades no âmbito da personalização e segmentação da Comunicação Interna e ao nível das características e perfis de cada colaborador, em detrimento da segmentação tradicional, por área ou departamento.

Para surtir o efeito desejado, a utilização destas tecnologias também passa por uma abordagem multicanal que permita aos colaboradores escolherem quando e como receber os conteúdos.

Em suma, para endereçar os desafios da Comunicação Interna na Era Digital, é necessário:

1. Alinhar a Comunicação Interna com a missão, visão e a cultura organizacional e adoptar uma abordagem de Marketing integrada, a nível interno e externo;

2. Adoptar uma comunicação multi-direccional com informação descentralizada, aliada a um feedback regular e estruturado;

3. Utilizar ferramentas e tecnologias sofisticadas para direccionar e adaptar a comunicação.

Importa não esquecer que, para acompanhar estas tendências com sucesso e tornar a Comunicação Interna mais eficaz e eficiente, com impacto directo na satisfação e engagement dos colaboradores e nos resultados organizacionais, são precisas lideranças fortes e influentes, dotadas das competências necessárias para acompanhar os desafios da Era Digital.

 

Este artigo foi publicado na edição de Setembro da Human Resources.

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