Os efeitos negativos da promoção da saúde no trabalho

Leonor Martins
17 de Dezembro 2018 | 11:17

De acordo com um novo estudo publicado na Frontiers in Psychology, os programas de promoção da saúde no local de trabalho podem aumentar o estigma e a discriminação – e até aumentar problemas como a obesidade e diminuir o bem-estar – se colocarem a responsabilidade no colaborador. 

 

No estudo «The Impact of Workplace Health Programs Emphasizing Individual Responsability on Weight Stigma and Discrimination» defende-se que estes efeitos negativos poderiam ser evitados através de programas focados na responsabilidade do empregador na promoção da saúde e bem-estar dos colaboradores.

«Muitas vezes dizem-nos que a responsabilidade da obesidade é do prórpria, mas as pessoas tendem a esquecer que as instituições moldam o nosso ambiente imediato e influenciam fortemente nosso comportamento», refere a professora Laetitia Mulder, da Universidade de Groningen na Holanda.

Por exemplo, uma cantina em que alimentos saudáveis ​​são escassos ou caros em comparação com alimentos poucos saudáveis, ​​pode levar a escolhas menos correctas. Nesta perspectiva, os empregadores têm efectivamente responsabilidade na saúde e peso dos seus funcionários.

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Outro exemplo prático, que espelha as diferenças na responsabilização dos programas de saúde: se tivermos um sinal na cantina que diga “Cuidado com seu peso, escolha opções saudáveis!”, sem dúvida que a responsabilidade na escolha passa a ser exclusivamente do colaborador, enquanto que, numa cantina onde apenas existam opções de dieta saudáveis e equilibradas a responsabilidade já é do empregador.

Estudos anteriores que analisaram a eficácia dos programas de promoção da saúde no local de trabalho, muitos dos quais focados no colaborador, relataram efeitos insignificantes na perda de peso, enquanto que outros, como o publicado por Laetitia Mulder, já alertava que programas focados nos colaboradores podiam contribuir, contraditoriamente, para aumentar o peso do estigma e da discriminação no local de trabalho, podendo mesmo levar à compulsão alimentar e ao aumento da obesidade.

Para investigar este fenómeno, os autores realizaram uma série de pesquisas e testes psicológicos nas empresas e descobriram que quando as pessoas são confrontadas com conceitos de programas de saúde focados no colaborador isso aumenta o estigma e a discriminação baseada no peso em comparação com os conceitos de um programa focado no empregador.

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«Ao desenvolver um programa de saúde, as organizações não se devem concentrar, apenas, na responsabilidade dos colaboradores, mas devem analisar o que a organização pode fazer para promover um comportamento saudável», explica Mulder.

Embora a obesidade seja um grande desafio para a saúde, reconhecer onde está a responsabilidade, evita culpa e estigmatização, e é provável que forneça um roteiro eficaz para melhorar a saúde.

Estudo completo aqui.

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