Os Kiss despediram-se dos palcos. Mas vão continuar a fazer espectáculos… com os seus avatares (e para sempre)

Human Resources
30 de Dezembro 2023 | 12:00

Os ícones do rock descobriram uma maneira de continuar a tocar após a reforma: como uma banda virtual noticia a Fast Company.

 

A noite deveria ser a última dos ícones do rock Kiss – a última noite da última digressão, o fim da End of The Road World Tour, que passou pelos cinco continentes, centenas estádios, durante 58 meses e quase matou o vocalista, Paul Stanley.

À medida que se aproximava a meia-noite no Madison Square Garden, os acordes ascendentes do bis final do grupo, “God Gave Rock n’ Roll To You”, ouviram-se em Nova Iorque, e indicavam que cinco décadas de heavy metal e maquilhagem pesada estavam prestes a terminar.

De repente, os membros da banda começaram a levitar. Não as formas terrenas de Gene Simmons, Paul Stanley e os “novatos” Eric Singer e Tommy Thayer (esses foram provavelmente para os bastidores), mas sim os seus avatares – Demon, Starchild, Catman e Spaceman – que assumiram o palco como figuras colossais que, através de uma combinação de projecção em tela de LED, lasers, fumo e pirotecnia, pareciam tridimensionais e gigantes.

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Demon, agora com 2,5 metros de altura, ganhou asas. Das pontas dos dedos de Starchild saíam raios cor-de-rosa. E o grupo arrebatou com altas guitarradas. Os Kiss haviam sido transfigurados naquela forma superior: propriedade intelectual licenciada. Agora os seus avatares podiam vaguear pelo multiverso e pelo metaverso.

As imagens tecnológicas por trás dos avatares dos Kiss são da responsabilidade da Industrial Light & Magic (ILM), com sede em São Francisco, famosa pelos efeitos visuais dos universos cinematográficos de Star Wars e Jurassic World, e que agora traz esses efeitos especiais para eventos ao vivo, sob a forma de avatares realistas.

«É uma sneak-peak de como a banda passa do mundo físico para o digital», diz Grady Cofer, supervisor de efeitos visuais da ILM. «Queremos dar aos fãs uma noção das muitas formas que esta banda poderá assumir no futuro.»

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Os financiadores e produtores são os fundadores da empresa sueca Pophouse Entertainment, cujo objectivo é adquirir catálogos musicais de bandas antigas e revitalizar o interesse por eles de maneiras novas e criativas.

Naquela época, os consumidores iam a uma loja de discos e compravam o álbum. Hoje, os serviços de streaming têm espaço quase infinito e os consumidores ouvem músicas impulsivamente, quase sem pensar, gratuitamente ou através de uma subscrição, explica o sueco Per Sundin, um dos responsáveis da Pophouse. Para qualquer música, a plataforma de lançamento para os tops pode ser o departamento de marketing de uma discográfica, a banda sonora de um programa de TV ou até mesmo um meme do TikTok. «As músicas antigas competem com todas as músicas novas», realça.

Para a Pophouse, os catálogos de música são fontes de receita confiáveis – graças aos fãs que ouvem os seus temas favoritos em plataformas que pagam royalties, como o Spotify e a Apple Music – e podem ter picos inesperados de lucro. E melhor do que isso, a Pophouse pode criar momentos para as músicas do seu portefólio através de eventos e conteúdo ao vivo, aumentando os próprios streams e royalties.

Os Kiss há muito que ultrapassam os limites da tecnologia e do espectáculo. Nos primeiros anos havia baixistas cuspidores de fogo e de sangue, baterias flutuantes e guitarras que disparavam. Mais recentemente, a banda experimentou concertos em realidade virtual. Os Kiss também não têm vergonha de ganhar dinheiro e vendem de tudo, desde banda-desenhada e preservativos até caixões.

No Verão passado, Simmons brincou que os Kiss poderiam continuar além do show final de maneiras que «nem eu tinha pensado», e, em vez de novos humanos, os fãs do Kiss ganharam avatares. Ainda não se sabe onde esses avatares vão voltar a aparecer, mas estando a ILM a trabalhar com a banda, pode ser numa performance ao vivo nos metaversos do Roblox ou do Fortnite…

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«Podemos ser eternamente jovens e icónicos ir a lugares que nunca sonhámos ir antes», disse Simmons num vídeo promocional filmado na ILM em Novembro passado. «O futuro é emocionante. Se acham que vão livrar-se de nós, receio que isso não vá acontecer.»

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