«Os líderes têm pela frente o maior desafio da sua vida»

Human Resources
29 de Julho 2020 | 12:14

«O papel do “novo líder”, no “novo normal”, é cuidar da pessoa e manter um elevado nível de acompanhamento emocional.»

 

Por Carla Gouveia, Executive coach & Career advisor

 

«Muita coisa está a mudar no mundo, em geral, e nas pessoas, em particular. Estamos a viver os meses mais desafiantes dos últimos 10 anos. De um dia para o outro, a vida pessoal e profissional alterou-se radicalmente: filhos em casa, rotinas totalmente diferentes, teletrabalho, equipas remotas; comunicação à distância…

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Esta mudança brusca e profunda gerou nas pessoas, como era natural, muitas incertezas, medos e ansiedades. Agora, estamos de regresso ao chamado “novo normal”, onde é preciso continuar a gerir equipas e revitalizar os negócios.

Falar, hoje, de Gestão de Pessoas exige falar dos líderes. Se às pessoas é lançado o grande desafio de readaptação, já os líderes têm pela frente o maior desafio da sua vida, enquanto tal. Para estes, é um óptimo momento para fazerem uma pausa e reflectirem: Onde estão hoje e para onde querem ir?

Vivemos um desgaste emocional superior, mesmo que, aparentemente, possa, em determinadas situações, parecer invisível, tal como o vírus, que nos atingiu sem aviso. A fronteira entre o pessoal e o profissional esbateu-se. A gestão remota apareceu como forma de trabalho por excelência, já lá vão mais de três meses. A improvisação tem de dar lugar a mais estruturação e processo, para que a gestão ocorra de forma mais eficiente e haja foco. Caso contrário, corre-se o risco de dispersão e desorientação.

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Os horários anteriores, sobretudo com o teletrabalho, já não servem para todos. As situações particulares de cada casa afectam, de forma directa, a produtividade do tele-colaborador e do colaborador que esta fisicamente presente. É um momento de particular exigência para os líderes. Estes têm de transmitir confiança às equipas, estando próximos das pessoas, ajudando-as a ultrapassar os seus medos e ansiedades. Isto significa conexão emocional, interesse genuíno pelas pessoas enquanto ser humano, com tudo o que elas são. Agora, e mais do que nunca, é necessária uma liderança sólida e muito presente.

Há medo, sim; há medo no ar, há medo nas pessoas. Enquanto este não desaparecer, não há crescimento nem avanço. Então, o papel do “novo líder”, no “novo normal”, é cuidar da pessoa e manter um elevado nível de acompanhamento emocional, porque só assim será possível gerar confiança, dissipar as incertezas e activar o negócio.

Hoje, e sempre, o negócio dependerá das pessoas e a estabilidade das pessoas dependerá de haver negócio!»

 

Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Julho (n.º 115) da Human Resources, nas bancas.

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