A sociedade está em constante transformação, e as pessoas, enquanto agentes activos desta mudança, promovem a mudança no mundo do trabalho. Se as pessoas estão activamente envolvidas neste processo, como agentes de mudança, estão conscientes dos riscos e benefícios e, concomitantemente, reconhecem os desafios que estes mesmos processos acarretam. Estarão as empresas assim tão conscientes dos benefícios, ou estarão maioritariamente focadas nos custos?
Por Daniela Lima, Managing partner da Swaifor
Num mundo repleto de desafios, um dos temas quentes do momento nas organizações e na Gestão das Pessoas é o well-being. O impacto do processo de transformação tecnológica nas organizações foi – e ainda é – uma questão que exige um esforço de adequação por parte dos profissionais e das organizações. A tecnologia e a introdução de novos modelos de trabalho que emergiram nos múltiplos contextos organizacionais contribuíram em larga medida para a complexificação das relações sociais e a intensificação das múltiplas situações de conflito.
As situações de conflito experienciadas nestes contextos em específico podem ter origem em múltiplas fontes ou factores de risco. Os factores de risco psicossocial podem resultar do excesso de horas de trabalho, da falta de equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional, da carga de trabalho, da liderança, da falta de autonomia, do trabalho por turnos, da falta de horário, de situações de mobbing e casos de assédio. Entramos no domínio dos riscos psicossociais que, inevitavelmente, conduzem a situações que contribuem para o stress ocupacional, episódios de ansiedade que poderão evoluir para situações mais graves e incapacitantes, como o síndrome de burnout e a múltiplas perturbações e doenças mentais, como a depressão.
Para simular como é que estes factores proliferam em contexto organizacional, vou recorrer ao campo da medicina (mas de forma muito simplista). Os vários factores que seleccionei funcionam como vírus – tendo a temperatura ideal e a energia de que necessitam podem permanecer incubados por vários anos nestes sistemas complexos, onde encontram um campo fértil para proliferar. Quando encontram oportunidade ou o “evento” de que necessitam, manifestam a sua presença, com toda a sua energia no sistema, adoecendo o agente.
Os riscos psicossociais funcionam da mesma forma, permanecem incubados nas organizações, minam as relações de trabalho, degradam as relações entre colegas e chefias, não permitem que as pessoas experienciem momentos de bem-estar em contexto organizacional.
Os riscos psicossociais necessitam de ser identificados, medidos e controlados, para limitar a sua acção dentro das organizações. Sendo uma das dimensões do well-being organizacional, não deve ser descurado pelas organizações, deve ser entendido como uma medida para alavancar o bem-estar e a saúde, de forma holística, das nossas pessoas. Devem ainda ser desenvolvidos programas que tenham por base diagnósticos com base científica e credível, que actuem a este nível de risco, atendendo às especificidades de cada organização.
Em suma, eu acredito que as organizações estejam focadas nas suas pessoas, que são sem dúvida o seu activo mais importante. Contudo, é perceptível que os desafios são múltiplos nos nossos dias. Mas ainda assim, é importante reflectir sobre estas questões, que se prendem directamente com o well-being organizacional. É vital investir no desenvolvimento e na implementação de práticas de gestão e liderança mais humanizadas para atrair e reter a nossa pool de talentos e, consequentemente, alavancar os indicadores de produtividade organizacional.
Este artigo foi publicado na edição de Julho (nº. 151) da Human Resources, nas bancas.
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