Os profissionais destas duas faixas etárias são os mais satisfeitos com o seu trabalho (mas por motivos diferentes)

Margarida Lopes
6 de Junho 2024 | 09:40
Os profissionais destas duas faixas etárias são os mais satisfeitos com o seu trabalho (mas por motivos diferentes)

A maioria dos profissionais na faixa etária dos 20 anos está optimista e satisfeita com os cargos que desempenha, mesmo quando não ganham o que desejariam. São ainda motivados com as novas tecnologias e com a forma como a Inteligência Artificial (IA) irá formatar as suas carreiras.

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Estas são as conclusões do estudo Talent Trends 2024, da Michael Page, que analisa as principais tendências do mercado de trabalho nos vários países do mundo, incluindo Portugal, destacando a ascensão multigeracional nas organizações a qual representa diferentes forças e prioridades.

Segundo as conclusões do estudo, a satisfação laboral e os objectivos profissionais dos portugueses estão relacionados com a idade, mas revelam diferenças entre as várias gerações. Os níveis mais elevados de satisfação profissional são observados nos jovens (43%) na faixa etária dos 20 anos, apesar de mais de metade (56%) estar insatisfeito com os seus salários. Observa-se igualmente níveis positivos de satisfação (52%) nos profissionais com mais de 50 anos.

No entanto, apesar de estas diferentes gerações terem um nível de satisfação laboral semelhante, a geração mais velha tem uma perspectiva diferente. Este grupo valoriza, sobretudo, a autonomia e a concretização pessoal relativamente à progressão na carreira, dá prioridade à liberdade de escolha do trabalho para se encaixar na vida pessoal, mais do que conseguir cargos mais elevados que possam significar tempo ou stress acrescidos.

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Relativamente à procura de um novo trabalho, o estudo conclui que os profissionais na casa dos 20, 30 e 40 anos, continuam atentos a novas oportunidades, talvez porque ainda não atingiram o pico da carreira. A faixa dos 30, particularmente, procura a conjugação de um salário mais elevado com o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, que inclua a vida familiar. Assim, 60% dos profissionais estão dispostos a recusar uma promoção e 38% considerariam trabalhar por conta própria.

Destaca-se ainda que os profissionais na faixa dos 20 (71%) e 30 anos (67%) são os que estão mais interessados em encontrar novas oportunidades.

Segundo as conclusões do estudo, o factor salarial continua ainda a ser crucial para todas as gerações de profissionais, no entanto, apenas 14% dos jovens com 20 anos foram bem-sucedidos na negociação de um aumento.

O estudo analisa ainda as expectativas para a diversidade, igualdade e inclusão no local de trabalho, e a percepção da discriminação. Independentemente da geração de profissionais, 69% dos inquiridos afirma não poder mostrar a sua verdadeira identidade no trabalho, revelando que a discriminação continua a ser uma realidade nos locais de trabalho em Portugal, com pouco menos de um em cada dez profissionais a sentir-se marginalizado ou maltratado.

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As pessoas acreditam que lidar com a discriminação de idade e reduzir a desigualdade salarial é muito importante, mas muitas não estão satisfeitas com a forma como as suas empresas estão a lidar com estes problemas. É um sinal de alerta inegável para que as empresas não só abordem, mas também actuem sobre o assunto, de forma eficaz e transparente.

O estudo revela que, na Europa, as mulheres enfrentam frequentemente microagressões (15% em comparação com 10% dos homens), o que destaca a luta contínua pela igualdade de género. A discriminação baseada na idade (apontada por 38% dos inquiridos) também é um problema comum, afectando tanto os membros mais jovens das equipas como os mais senior e apresentando um obstáculo relevante para os esforços da diversidade, igualdade e inclusão.

A relutância em denunciar a discriminação é evidente, com apenas 30% das pessoas afectadas a decidir fazer a denúncia, na Europa. Esta hesitação é um sinal claro de que as empresas precisam de melhores redes de suporte que façam ser ouvidas e valorizadas todas as vozes.

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