O economista e ex-presidente da Autoridade da Concorrência, Abel Mateus, classifica como “desadequada” a definição de metas para a subida do salário mínimo nacional, defendendo que os salários só podem subir com um aumento da produtividade.
«Acho que é uma perspectiva errada esta política que parece que estar a pegar na moda de que é preciso subir os salários. Os salários não podem subir se não aumentar a produtividade, porque senão vamos novamente reduzir a capacidade das empresas investirem e inovarem», disse Abel Mateus, actualmente presidente do conselho consultivo da SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, em entrevista à Lusa.
O economista, que foi diretor executivo do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento e administrador do Banco de Portugal, assim como membro da Comissão Monetária e do Comité de Política Económica da Comissão Europeia, argumenta que «só um aumento da produtividade a nível empresarial» em Portugal «é que vai permitir dar este salto».
Questionado sobre a definição de metas para a subida do salário mínimo nacional (SMN) para a legislatura, Abel Mateus disse à Lusa considerar «isso tudo desadequado».
«Vamos é fixar metas para o crescimento económico e depois os salários vão subir com o crescimento económico», vinca, justificando que «aumentar o salário mínimo sem que haja crescimento económico vai causar sobretudo dificuldades para os jovens, porque vão ter dificuldade em arranjar trabalho e, por outro lado, vai levar a que algumas empresas evidentemente irão fechar. Se têm baixa produtividade, é inevitável».
Para o economista, esta estratégia não é a forma de desenvolver um país, sublinhando nunca ter visto «nenhum país ter como política fundamental subir o salário mínimo».
«Não quer dizer que isso seja aconselhável para o caso português, mas há países que não têm políticas de salário mínimo e têm elevadíssimos níveis de rendimento», acrescenta.
A aposta deve passar, diz, por «melhor tecnologia» e «melhor formação de mão-de-obra», exemplificando que «Portugal está muito contente com o aumento extraordinário da taxa de frequência no ensino superior, que é evidente que é necessário, mas mais do que isso é necessária a qualidade desse ensino», considerando que tal é que «permite aumentar os salários e evitar que o talento vá para o exterior».














