Por António Saraiva, Business Development manager, ISQ Academy
Ovo de Colombo é uma sobejamente conhecida metáfora proverbial, oriunda do folclore italiano, se bem que fortemente disseminada em Espanha, até chegar a nós. Refere-se acima de tudo a soluções difíceis de chegar, mas quando reveladas são óbvias e simples. Logicamente relacionada com Cristóvão Colombo e com a descoberta do Novo Mundo.
Mas o Ovo de Colombo que se pretende referenciar é tão só perceber-se que o sucesso das organizações, e até já numa lógica de se encararem os desafios de 2025, dependerá da capacidade de se equilibrar a transição tecnológica com a Gestão de Pessoas, tendo por base uma consonância clara para se atingirem objectivos determinantes para um crescimento sustentável. Não esquecendo neste propósito a imbrincagem entre produtividade e bem-estar das Pessoas.
Se a gestão de talentos vai continuar no léxico RH, sem sombra de dúvida. Mas mais importante é a preocupação por se (re)construírem equipas ágeis e flexíveis, significativamente preparadas para um futuro cada vez mais marcado pela inovação e responsabilidade social. Muito se escreve e fala sobre cultura organizacional em que, muitas vezes, parece significar uma panaceia para se evitarem males maiores para a organização. Sem dúvida nenhuma, contudo, uma organização, e mesmo uma sociedade, que não viva e experiencie fortemente os pilares da sua cultura tenderá a entrar numa espiral de desagregação do propósito para a qual verdadeiramente existe.
A solidez desses pilares, em particular os valores em que as pessoas se reconhecem, permite enfrentar melhor os desafios, em particular os que se perfilam em novos modelos laborais, sobretudo os impulsionados muitas vezes por questões geracionais. O porquê é simples quando se analisam alguns estudos: as gerações mais jovens não abdicam de ter uma vida, para além da vida profissional e, mesmo nesta, com condições de bem-estar evidentes. E o mais curioso é que se percebe hoje que este é já uma preocupação que é intergeracional. O grande desafio é, pois, dar respostas a estas expectativas, sem se correr o risco de perder a produtividade.
E, neste particular, alguns temas são catapultados para a ribalta. Uns por recorrência, que proporcionam novas reflexões ou novos impulsos, como é o caso dos modelos híbridos ou remotos e até da própria semana de quatro dias. Outros como tendências-chave e inequívocas, como é a sustentabilidade, mas numa lógica mais abrangente do que apenas questões ambientais, remetendo para práticas éticas e socialmente responsáveis, mas também ao nível da gestão. Até pela importância de alguns factores relevantes, como é o caso da própria reputação da marca e a respectiva importância na atracção e retenção de talento.
E sem surpresa alguma a relevância que a Inteligência Artificial aporta, quer ao nível da automação de processos e tarefas, como na análise de dados, em que permitirá uma gestão cada vez mais estratégica muito focada na inovação, mas também no desenvolvimento das pessoas. Mas há, ainda, um imperativo social, associado a uma estratégia organizacional mais eficaz, que nos remete para políticas efectivas de Diversidade, Equidade e Inclusão. Neste particular já existem estudos que demonstram que políticas inclusivas as organizações apresentam melhores resultados financeiros, seja por via da retenção de talentos, seja pela sua reputação junto do mercado.
São temas aparentemente de difícil implementação? Talvez! Mas voltemos à metáfora do Ovo de Colombo e a Cristóvão Colombo: mais do que descobrir a solução ideal, o importante é remover as dificuldades para se obter a… melhor solução!














