De acordo com relatos de recrutadores e responsáveis de Recursos Humanos, alguns elementos da Geração Z estão a ser acompanhados pelos pais durante processos de recrutamento, entrevistas de emprego e mesmo em situações relacionadas com o desempenho profissional.
O fenómeno foi destacado recentemente pelo Wall Street Journal, que reuniu testemunhos de profissionais de recrutamento sobre situações em que pais contactam recrutadores, entregam currículos em feiras de emprego ou intervêm junto dos departamentos de Recursos Humanos em representação dos filhos.
Das entrevistas aos contactos com RH
Um dos casos relatados envolve um executivo de uma empresa de recrutamento no Alasca que afirma ter recebido chamadas de pais após os filhos não terem conseguido uma oferta de emprego. Segundo o responsável, o que inicialmente lhe pareceu um episódio isolado tornou-se uma situação recorrente.
Os relatos incluem também pais que acompanham candidatos durante entrevistas ou que procuram intervir em questões relacionadas com avaliações de desempenho e decisões de Gestão de Pessoas.
Efectivamente, um inquérito da plataforma Zety citado pela Newser concluiu que um em cada cinco trabalhadores da Geração Z já teve um dos pais presente numa entrevista de emprego, um indicador que ajuda a explicar por que o tema está a captar a atenção de recrutadores e empregadores.
Para muitos profissionais de recrutamento, o principal desafio não é a presença dos pais em si, mas a percepção que esta pode transmitir relativamente à autonomia e independência dos candidatos.
A intervenção familiar poderá levar alguns empregadores a questionar até que ponto os candidatos estarão preparados para gerir de forma autónoma as exigências do contexto profissional ou para lidar directamente com temas como feedback, desempenho ou progressão de carreira.
Keith Wolf, sócio-gerente de uma empresa de recrutamento, refere que existe a sensação de que algumas famílias encaram o processo de procura de emprego como um esforço conjunto, em que vários elementos participam activamente na gestão da carreira dos mais jovens.
Como estão as empresas a responder?
Apesar das reservas manifestadas por alguns recrutadores, algumas organizações parecem estar a procurar formas de acomodar esta realidade.
De acordo com a notícia, há empregadores a testar iniciativas específicas para responder às dúvidas e ao envolvimento dos pais, incluindo sessões ou momentos dedicados em que mães e pais podem colocar questões relacionadas com a integração dos jovens profissionais.
Estas abordagens procuram transformar uma potencial fonte de tensão num momento de esclarecimento e aproximação entre empresa, candidatos e famílias.
Entre os próprios membros da Geração Z, o fenómeno não reúne consenso.
Uma jovem de 22 anos citada na reportagem considera que este tipo de comportamento contribui para reforçar estereótipos negativos sobre a geração, alimentando a ideia de que os profissionais mais jovens necessitam de acompanhamento constante ou de apoio permanente para navegar no mundo do trabalho.
A observação é particularmente relevante num momento em que muitas organizações procuram compreender melhor as expectativas, motivações e comportamentos da nova geração que está a entrar no mercado de trabalho.
Um tema que desafia as estratégias de atracção de talento
Mais do que uma curiosidade geracional, a crescente presença dos pais em alguns momentos do percurso profissional dos jovens levanta questões importantes para os departamentos de Recursos Humanos.
Até que ponto as empresas devem envolver as famílias no processo de integração? Como equilibrar apoio e autonomia? E de que forma podem os recrutadores avaliar competências de independência e maturidade profissional num contexto em que a influência parental parece estender-se para além da vida académica?
Embora o fenómeno possa não representar a experiência da maioria dos profissionais da Geração Z, os relatos reunidos na notícia mostram que está a tornar-se suficientemente frequente para captar a atenção de quem gere talento e recrutamento.


















