Cerca de 61% dos gestores pretende transformar a forma de trabalhar das empresas que lideram, não só pela necessidade de adaptação a novos desafios, mas também porque a crise é uma oportunidade para repensar e modificar as suas organizações. Esta é uma das principais conclusões do estudo Global Human Capital Trends 2021 da Deloitte.
Este valor corresponde ao dobro das intenções nesta matéria se comparado com períodos pré-pandemia em que apenas 29% dos líderes colocavam a transformação como prioridade.
A edição de 2021 deste estudo analisa de uma forma particular o modo como as organizações e os seus líderes poderão aproveitar a pandemia para recriar e re-imaginar o trabalho e baseia-se num inquérito realizado junto de 3600 executivos em 96 países, incluindo Portugal.
O estudo indica ainda que os executivos estão cada vez mais a abandonar a optimização da automação e a repensar qual a melhor forma de integrar o factor humano e a tecnologia nas empresas. Durante a pandemia, as equipas tornaram-se no mecanismo de sobrevivência das organizações, permitindo adaptabilidade e velocidade, levando os líderes das empresas a construir “superequipas”, unindo os colaboradores à tecnologia, e a re-imaginar o trabalho de uma forma mais humana.
A perspectiva dos gestores sobre Inteligência Artificial (IA) está também a mudar, de uma visão limitada a uma ferramenta de automação para uma nova forma de aumentar e potenciar as capacidades humanas da empresa. Muitos dos executivos consultados reconhecem que o uso de tecnologia e pessoas não é uma escolha “ou uma ou outra”, mas sim uma parceria entre os dois.
Os três factores identificados pelos executivos como importantes na transformação do trabalho das empresas foram a construção uma cultura organizacional que potencie o crescimento, a adaptabilidade e a resiliência (45%), através da requalificação (upskilling e reskilling) e mobilidade (41%) e através de novas tecnologias (35%).
De acordo com este estudo da Deloitte, a liderança é a qualidade mais valorizada com 60% dos executivos a afirmar que este atributo é crítico para atingir um ponto óptimo de preparação para os novos desafios da organização. No entanto, surgem como barreiras à transformação das empresas outras prioridades concorrentes (57%), a falta de preparação (43%) e falta de visão de futuro (27%) das organizações.
Cerca de 28% das empresas admite que não tinha estratégias de preparação para a pandemia e a maioria (94%) não se focava em eventos improváveis de alto impacto como a Covid-19. Actualmente, apenas 17% das empresas afirma ter uma estratégia de preparação para eventos “improváveis, de alto impacto”.
O estudo revela também que quase metade (47%) dos executivos afirma que a sua organização se concentra em múltiplos cenários, um número superior ao registado em período pré-pandemia (23%). Na resposta à crise em tempo real foi dada maior relevância aos contributos dos colaboradores e das equipas, de forma a lidar de forma efetiva com múltiplos cenários e eventos improváveis.
Perto de 72% dos executivos identificaram «a capacidade da sua equipa em se adaptar, requalificar e assumir novas funções» como uma prioridade para enfrentar disrupções futuras na actividade das organizações.
Contudo, apenas 17% desses executivos disseram que a sua organização estava “bem preparada” para se adaptar e requalificar os trabalhadores para assumir novas funções, o que denota uma desconexão substancial entre as prioridades dos líderes e a realidade de como as suas organizações apoiam o desenvolvimento da respetiva força de trabalho.
O estudo inclui respostas de mais de 1200 executivos a nível de topo e membros de conselhos de administração. Pela primeira vez em 11 anos do relatório, os entrevistados da área de gestão (56%), incluindo 233 CEOs, superaram os entrevistados da área de Recursos Humanos (44%), o que revela a importância crescente do capital humano na tomada de decisões organizacionais.














