Pandemia provoca a perda 400 milhões de empregos

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou o ILO Monitor, um relatório sobre o impacto global da pandemia da COVID-19 no mercado de trabalho, que revela que o número de horas de trabalho perdidas durante o primeiro semestre deste ano foi “significativamente pior do que o previsto”, com uma queda de 14% no horário global de trabalho, o equivalente à perda de 400 milhões de empregos a tempo completo. A notícia foi avançada pelo Expresso.

 

A OIT admite que «a recuperação altamente incerta no segundo semestre do ano não será suficiente para voltar aos níveis pré-pandemia», mas Guy Ryder, director-geral da organização, recorda que «as decisões que adoptarmos agora terão eco nos próximos anos e além de 2030».

No final de Maio, o ILO Monitor, antecipava uma quebra de 10,7% no número de horas trabalhadas que se traduziria na perda de 305 milhões de empregos em todo o mundo (tendo como referência uma semana de trabalho de 48 horas). Um mês depois a organização admite que o pior cenário foi ultrapassado e confirma uma redução de 14% no horário global de trabalho nos primeiros seis meses do ano, e com esta redução a perda de 400 milhões de empregos a tempo completo.

Os novos números, sublinha a OIT, «reflectem o agravamento da situação em muitas regiões nas últimas semanas, especialmente nas economias em desenvolvimento». As perdas de tempo de trabalho e, consequentemente, de postos de trabalho tiveram uma distribuição uniforme nas várias regiões: Américas (18,3%), Europa e Ásia Central (13,9%), Ásia e Pacífico (13,5%), Estados Árabes (13,2%) e África (12,1%). A grande maioria dos trabalhadores (93%) vivem em países em que muitos locais de trabalho estão ainda encerrados ou com fortes restrições e a OIT admite que, mesmo no melhor cenário de retoma económica, «existe um risco de continuar a perda de empregos em larga escala».

No relatório, a OIT constata que as mulheres foram afectadas desproporcionalmente pela pandemia, admitindo que «alguns dos modestos progressos alcançados na igualdade de género ao longo das últimas décadas sejam perdidos e que as desigualdades de género sejam exacerbadas».

O impacto laboral e económico sentido pelas mulheres está sobretudo relacionado com a sua sobre-representação nos sectores mais afectados pela pandemia, como o comércio, restauração, hotelaria ou indústria. «Globalmente, quase 510 milhões ou 40% de todas as mulheres empregadas trabalham nos quatro sectores mais afectados, em comparação com 36,6% dos homens», refere a OIT.

As mulheres estão também em maior número nos sectores de trabalho doméstico e de assistência social ou saúde, onde estão mais expostas a riscos, sejam eles de contágio ou de perda de rendimentos. No relatório, a organização mundial, constata ainda que «a distribuição desigual do trabalho não remunerado pré-pandemia piorou durante a crise, exacerbada pelo encerramento de escolas e serviços de apoio». Na prática, estão a pagar a crise os profissionais que antes dela já enfrentavam situações de maior vulnerabilidade laboral e social.

Desafios para o segundo semestre
No relatório divulgado esta terça-feira, a OIT traça três cenários de recuperação para o segundo semestre de 2020, o cenário de referencia, o pessimista e o optimista – salvaguardando que «o resultado a longo prazo vai depender da trajectória futura da pandemia e das opções políticas e governamentais».

No cenário base, que pressupõe uma recuperação da actividade económica e acordo com as previsões existentes – o levantamento das restrições do local de trabalho e a recuperação do consumo e do investimento -, projecta uma redução das horas de trabalho de 4,9%, equivalente a 140 milhões de empregos a tempo completo perdidos, por comparação com o último trimestre de 2019. No cenário pessimista, que pressupõe uma segunda vaga da pandemia e um regresso às restrições de circulação (que retardaria a recuperação económica), a consequência seria uma quebra de 11,9% nas horas trabalhadas, 340 milhões de empregos a tempo completo. Já num cenário optimista, em que os trabalhadores retomam rapidamente as suas actividades aumentando significativamente a procura agregada e a criação de emprego, a OIT antecipa que a perda global de horas trabalhadas pudesse cair apenas 1,2%. Ainda assim, 34 milhões de empregos a tempo completo seria eliminados.

Guy Ryder, director-geral da OIT, defende que «embora os países estejam em diferentes estágios da pandemia e já muito tenha sido feito, precisamos de redobrar os nossos esforços, se quisermos sair desta crise em melhor forma do que quando ela começou». Ryder recorda ainda que «as decisões que adoptarmos agora terão eco nos próximos anos e além de 2030».

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