A Alemanha enfrenta uma escassez crescente de mão de obra jovem devido a uma pirâmide etária invertida, o que levou o governo a aprovar uma medida que permite aos reformados continuar a trabalhar com benefícios fiscais, avança o The Telegraph..
O chamado “plano de pensão activa”, em vigor desde Janeiro, isenta até 2.000 euros por mês de rendimento adicional de trabalho para reformados, sem que estes valores sejam sujeitos a impostos. Contudo, as contribuições sociais continuam a ser descontadas tanto por parte dos empregados como dos empregadores.
Esta iniciativa integra o pacote de reformas conhecido como “Outono de reformas”, que visa reter conhecimento e experiência nas empresas e aumentar a taxa de emprego num país que enfrenta uma das transições demográficas mais severas da Europa.
Apesar da isenção fiscal, os benefícios existentes para quem opta pela reforma antecipada mantêm-se, incluindo a idade legal para aposentação aos 67 anos e incentivos para quem se reformar aos 63 anos. A medida pretende ser um incentivo fiscal para aqueles que desejam prolongar a sua vida profissional.
O governo estima que a isenção fiscal custará cerca de 890 milhões de euros por ano, embora alguns institutos, como o Instituto IW, considerem este valor optimista e apontem para um custo anual próximo de 1.400 milhões de euros, com cerca de 168.000 potenciais beneficiários.
O economista Holger Schmieding alerta que o impacto líquido poderá tornar-se positivo em dois a três anos, caso o aumento da actividade económica e das contribuições compense a perda fiscal inicial, além do possível “efeito psicológico” de valorizar socialmente a contribuição dos idosos.
O governo alemão inspirou-se na experiência grega, onde a permissão para que reformados mantivessem a pensão intacta e pagassem impostos reduzidos sobre rendimentos de trabalho levou a um aumento significativo no número de aposentados que continuam a trabalhar, passando de 35.000 em 2023 para mais de 250.000 em Setembro do ano seguinte.
Esta política visa combater sintomas estruturais da economia alemã, como as baixas horas médias de trabalho e o crescimento do trabalho a tempo parcial, que representa já 30% da força laboral.
Manter trabalhadores seniores pode ajudar a atenuar a escassez de competências em sectores específicos e facilitar a transferência de conhecimento, embora exija adaptações nas condições de trabalho para uma força laboral mais envelhecida.

















