Num mercado de trabalho cada vez mais influenciado pela IA, as competências humanas assumem um valor estratégico crescente. Entre elas, a inteligência emocional destaca-se como uma das mais procuradas por empregadores e recrutadores, graças à sua ligação à tomada de decisão, ao pensamento crítico, à empatia e à capacidade de relacionamento interpessoal.
Segundo a Korn Ferry, a inteligência emocional traduz-se na capacidade de compreender as emoções e reacções de outras pessoas e ajustar comportamentos e respostas em função desse entendimento. Apesar da crescente valorização desta competência em estudos sobre o futuro do trabalho, o investimento das organizações no seu desenvolvimento continua a ser reduzido.
Melissa Gordon, senior client partner da Korn Ferry, sublinha que a inteligência emocional é, acima de tudo, uma competência relacional. Para a especialista, o primeiro passo para a fortalecer passa por desenvolver auto-consciência. Isto implica identificar situações que geram tensão, reconhecer padrões de comportamento e compreender os próprios gatilhos emocionais, permitindo responder de forma mais consciente em vez de agir por impulso.
Outra das estratégias apontadas consiste em adoptar diferentes perspectivas perante um desafio ou situação profissional. Através de exercícios de role-playing, amplamente utilizados em programas de desenvolvimento de liderança, os profissionais são incentivados a analisar um problema não apenas do seu ponto de vista, mas também da perspectiva de outras partes envolvidas e de um observador neutro. O objectivo é compreender como as suas intenções podem ser percepcionadas pelos outros e ajustar a forma de actuar.
A gestão de conflitos surge igualmente como uma das áreas mais eficazes para desenvolver inteligência emocional. Segundo a Korn Ferry, rever situações de desacordo ou decisões mal sucedidas, identificar momentos em que o diálogo se tornou defensivo e testar respostas alternativas pode ajudar a melhorar futuras interacções. A prática, o feedback e a reflexão sobre experiências reais continuam a ser considerados elementos fundamentais neste processo.
A tecnologia também pode desempenhar um papel de apoio. Actualmente existem aplicações dedicadas ao acompanhamento do estado emocional ou ao desenvolvimento de competências associadas à inteligência emocional. Ainda assim, os especialistas alertam que estas ferramentas devem funcionar como complemento e não como principal base de aprendizagem.
Curiosamente, a leitura de ficção é apontada como outra forma de reforçar esta competência. Ao acompanhar personagens, compreender as suas motivações e interpretar emoções e intenções, os leitores exercitam capacidades associadas à empatia e à compreensão dos outros. Um estudo citado pela Korn Ferry concluiu que a leitura de ficção pode gerar benefícios cognitivos relevantes, particularmente em dimensões centrais da inteligência emocional.
Num contexto em que as organizações procuram cada vez mais profissionais capazes de colaborar, liderar equipas e gerir relações complexas, a inteligência emocional afirma-se como uma competência diferenciadora. E, numa altura em que muitas tarefas são automatizadas pela inteligência artificial, poderá tornar-se um dos factores mais decisivos para a empregabilidade e progressão de carreira.


















