Participação feminina bate recorde em Portugal, mas o fosso salarial mantém-se (mais de 15%)

Margarida Lopes
3 de Março 2026 | 09:40
Participação feminina bate recorde em Portugal, mas o fosso salarial mantém-se (mais de 15%)

No âmbito do Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, a Claire Joster People first, empresa do Grupo Eurofirms People first, analisou os indicadores mais recentes do mercado laboral português. Embora a população activa feminina tenha atingido um recorde histórico de 2,8 milhões de mulheres no último trimestre de 2025, representando um crescimento de 2,6% face ao ano anterior, as barreiras estruturais permanecem evidentes.

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A taxa de desemprego feminina (6,5%) continua a ser superior à dos homens (6%), reflectindo dificuldades persistentes na integração plena do talento feminino e evidenciando uma maior dificuldade na absorção do talento feminino pelo mercado laboral.

A análise revela também uma mudança gradual na distribuição ocupacional. Se, por um lado, as actividades de saúde humana e apoio social continuam a ser o principal empregador feminino, representando 16,7% do total de mulheres empregadas, verificam-se subidas expressivas em áreas tradicionalmente masculinas. A presença feminina no sector da construção disparou 22,2% e nas actividades imobiliárias cresceu 16,9%, sinalizando uma nova dinâmica na ocupação de funções habitualmente segregadas.

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O aumento da participação feminina no mercado de trabalho revela um país a várias velocidades, com a Região Autónoma da Madeira e a região Centro a registarem os crescimentos mais expressivos da população activa feminina no último trimestre de 2025, com aumentos de 5,3% e 5,9%, respectivamente. Por sua vez, o Algarve registou um crescimento de 3,9% e a Grande Lisboa 3,2%, mantendo uma trajectória de subida sólida. Em contraste, apresenta-se com um ritmo mais moderado o Alentejo, com aumento de 1%, e o Norte, na ordem de 0,8% de crescimento.

Apesar destas variações, os dados do INE confirmam que Portugal caminha para uma representação paritária em termos de volume de força de trabalho em quase todo o território. Actualmente, a média nacional de mulheres na população activa fixa-se nos 49,5%, sendo que em regiões como a Grande Lisboa, a Península de Setúbal e o Algarve as mulheres já representam metade ou a maioria da população activa.

Este cenário de equilíbrio quantitativo acentua o contraste com as desigualdades que persistem ao nível qualitativo, nomeadamente na remuneração e no acesso a cargos de decisão.

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A remuneração continua a ser um dos principais campos de desigualdade, com as mulheres a ganharem, em média, 15,4% menos do que os homens. Este desequilíbrio é particularmente crítico em funções onde a desigualdade de género é mais acentuada: nos postos de operação de instalações e máquinas, as mulheres ganham menos 25%; nas funções de técnicos e profissões de nível intermédio, a disparidade é de 22,3%; já nos cargos de direcção e gestão, a diferença salarial atinge os 18,7%.

Contrariando a tendência do mercado nacional, os dados internos do Grupo Eurofirms em Portugal revelam um cenário de paridade efetiva: actualmente, 76% dos cargos da multinacional são ocupados por mulheres.

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Esta representatividade é ainda mais expressiva nos níveis de tomada de decisão, onde a liderança feminina representa 81%, garantindo um acesso significativo a funções de responsabilidade. A análise interna sugere, ainda, que a consolidação da paridade se afirma sobretudo nas fases mais avançadas da carreira, observando-se um equilíbrio maior nos cargos de liderança sénior, entre os profissionais com mais de 50 anos.

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Para Sílvia Coelho, National Leader da Claire Joster em Portugal, «os números recorde de participação feminina são positivos, mas o fosso salarial e a menor presença em cargos de gestão a nível nacional mostram que o progresso é lento».

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