Paula Panarra, Microsoft: «A diversidade é fundamental para o sucesso das organizações»

Human Resources
7 de Abril 2021 | 10:43
Paula Panarra, Microsoft: «A diversidade é fundamental para o sucesso das organizações»

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, acredita que «uma equipa diversificada e inclusiva trará maiores benefícios para as organizações, a nível de inovação, resposta às necessidades do mercado, bem como uma melhor experiência para os colaboradores». Leia o seu testemunho.

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«A diversidade é fundamental para o sucesso das organizações, seja ao nível de género, background, orientação sexual, etnia ou cultura. É importante termos consciência de que não é apenas uma questão de representatividade de género, mas sim de contribuição. Acredito que uma equipa diversificada e inclusiva trará maiores benefícios para as organizações, a nível de inovação, resposta às necessidades do mercado, bem como uma melhor experiência para os colaboradores.

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Esta representatividade deve estar presente tanto em cargos de liderança como em todos níveis de gestão, pois a diversidade traz benefícios para as equipas, ao tirarem partido das diferenças de ideias, perspectivas e competências. Os benefícios dessas diferenças abrangem o aumento de produtividade e capacidade de problem solving, contribuindo para uma aceleração na performance do negócio.

Ao unirmos diferentes perspectivas, possibilitamos um aumento de inovação e criatividade nas organizações, bem como a identificação de novas oportunidades de negócio. A relação com o cliente é também beneficiada, através de uma comunicação mais eficaz e personalizada, o que poderá ainda proporcionar um aumento do número de clientes.

A importância da diversidade, nomeadamente de género, acaba também por gerar uma maior atracção e retenção de talento. A representatividade do género feminino nas empresas poderá transmitir uma maior confiança ao nível da igualdade para as mulheres e, consequentemente, atrair mais talento feminino. O número de mulheres em cargos de liderança é, assim, fundamental para servir como exemplo e factor impulsionador para encorajar mais mulheres a ambicionarem o seu crescimento profissional.

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A McKinsey partilhou o estudo “The Power of Parity”, que indicava que se as mulheres participarem ao mesmo nível dos homens no mercado de trabalho, a economia global poderá vir a crescer 28 triliões de dólares até 2025. Estudos como este vêm comprovar que a melhoria das condições económicas das mulheres tem um impacto positivo no crescimento sustentável das comunidades dos vários países. O investimento na capacitação das mulheres é, assim, fundamental para colmatar as questões mais prementes da pobreza mundial. Os homens e as mulheres são diferentes por natureza e, por isso, trazem ideias, perspectivas e insights variados. A meu ver, não se trata de uma questão de género, mas sim de características inerentes ao indivíduo. A tendência é associar a mulher a um estilo de liderança mais democrático e o homem mais autocrático, devido apenas aos respectivos estereótipos de género. No entanto, o carácter e as competências de cada um, algo delineado pelas suas experiências, o seu background, as suas preferências e personalidade, são os factores-chave que determinam a forma como aprendem, trabalham, comunicam e lideram na sua organização.

Existe também uma tendência para associar especificidades a cada sector, como no da Tecnologia, onde por vezes o trabalho técnico é associado ao género masculino e a um determinado carácter introvertido e distante. Estas especificidades podem acabar por levar a um menor interesse por parte do género feminino nestas áreas. Dados do Eurostat indicam que, de todos os estudantes na área das TIC (Tecnologias de Informação e Comunicação), apenas 17% são mulheres e, coincidentemente, de acordo com o Parlamento Europeu, as mulheres representam apenas 18% da população europeia a trabalhar no sector da tecnologia.

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Há assim, sem dúvida, trabalho a fazer na aceleração da representatividade das mulheres desde cedo para desmontar e desmistificar muitos destes paradigmas. Na minha visão, este é um trabalho que deve ser feito a nível educacional, empresarial e social.

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Ao nível da Educação, devemos continuar a atrair as raparigas para áreas onde a discrepância de género é maior, nomeadamente nas Ciências, Tecnologias, Engenharias e Matemáticas (CTEM), em que apenas 35% dos estudantes em todo o mundo são mulheres, de acordo com um estudo da McKinsey de 2019. Para isso, é fundamental apostar em exemplos femininos que aumentem a confiança na igualdade de trabalho e ajudem as mulheres mais jovens a projectar as suas carreiras para estas áreas.

Um estudo europeu da Microsoft concluiu que a introdução de mais experiências e exercícios práticos com a realidade do trabalho nas escolas é fundamental para uma maior atractividade e retenção das raparigas nas áreas de CTEM. A influência dos professores é também um factor determinante e, para isso, é necessário continuarmos a qualificá-los para um método de aprendizagem mais colaborativo, interactivo e social.

A criação desta apetência deve começar na educação, mas há também um trabalho necessário do ponto de vista das empresas para uma aposta na qualificação e requalificação dos seus colaboradores. Ao compararmos a taxa de empregabilidade das mulheres de 67% da Eurostat com os 8% para cargos de chefia da Comissão Europeia, apercebemo-nos de que, na sociedade, muito do emprego não qualificado ainda é destinado às mulheres. Olhando para o futuro que esta transformação digital está a trazer, torna-se mais importante ainda as empresas priorizarem a diminuição desta discrepância.

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É da essência da cultura empresarial que tem de partir a estratégia para a diversidade de recursos numa organização. É essa estratégia que temos vindo a desenvolver na Microsoft, ao criarmos ambientes de trabalho que proporcionam oportunidades mais comparáveis a todos os níveis, através dos nossos recursos e representatividade.

A sociedade também deve agir, pois ainda existe uma discrepância notória na distribuição do trabalho doméstico. De acordo com o estudo “As Mulheres em Portugal, hoje”, da Fundação Manuel dos Santos, a mulher efectua, em média, 74% das tarefas domésticas. Relativamente ao cuidado e educação dos filhos, as mulheres ocupam-se de cerca de 73% do trabalho.

Face às condições trazidas pela pandemia, a carga de trabalho doméstico acrescida tem contribuído para um impacto negativo nas mulheres em comparação com os homens. É, por isso, necessário alertarmos a sociedade para um maior equilíbrio nesta distribuição, e sobretudo que tomemos as necessárias medidas, de forma a que as mulheres tenham as devidas oportunidades nas suas vidas profissionais.»

 

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Este artigo faz parte do tema de capa da edição de Março (123) da Human Resources.

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