«A produtividade é, há décadas, o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa, e este barómetro confirma-o: a baixa produtividade surge como principal desafio do mercado de trabalho (19%), a par da concorrência pela atracção de talento. Mas os resultados oferecem uma pista que contraria o discurso dominante.
Num momento em que se multiplicam os apelos ao regresso ao escritório em nome do desempenho, 67% dos gestores de pessoas avaliam como positivo ou muito positivo o impacto do trabalho híbrido e remoto na produtividade; apenas 13% lhe atribuem efeito negativo. Se quem mede e gere o desempenho das organizações não vê no modelo híbrido um problema, talvez a causa da produtividade anémica esteja noutro lado – na qualificação, na gestão, no investimento ou na dimensão das empresas – e não no local onde se trabalha.
Curiosamente, aumentar a produtividade é apenas a quinta expectativa dos CEO face à Gestão de Pessoas (26%), muito atrás de atrair e reter talento (68%). Com base nos resultados, as chefias perceberam que a produtividade se resolve com as pessoas certas, com competências de liderança, mas que também têm de estar enquadradas numa cultura organizacional que incentive as pessoas a acrescentarem valor. É aí que o debate público se devia concentrar.»
Este testemunho foi publicado na edição de Junho (nº. 186) da Human Resources, no âmbito do seu LXV Barómetro.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital













