Pedro Fontes Falcão, Iscte Executive Education: O gestor português está preparado para um mundo rodeado de IA?

Human Resources
10 de Fevereiro 2026 | 14:00

É uma questão pertinente, para a qual não há uma resposta clara.

 

Por Pedro Fontes Falcão, co-director do Executive MBA, do Iscte Executive Education

 

O povo português tem-se adaptado a novas tecnologias (como por exemplo, as famosas rápidas adaptações ao multibanco e ao MBWay), o que é um ponto favorável. Contudo, no caso da inteligência artificial (IA), trata-se de um conjunto de tecnologias omnipresente em muitas áreas da nossa vida, e também da gestão. Logo, não se trata de algo específico, como o uso de LLM (large language models), como o ChatGPT, mas sim um conjunto de tecnologias com uma aplicação transversal. Por isso, esta vantagem do povo português pode não ser suficiente.

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Depois, para uma boa gestão, mas ainda mais relevante, para uma boa utilização da IA, é importante ter dados em quantidade e “qualidade”. Se não, como se pode “alimentar” as ferramentas para nos ajudar a analisar situações e a tomar decisões? Teríamos o efeito GIGO (garbage in, garbage out), em que se introduzimos “maus” dados, a conclusão é também “má”. Neste ponto, receio que muitas empresas (especialmente as mais pequenas) não estejam bem preparadas.

Acresce a necessidade de talento especializado que as empresas portuguesas precisam de recrutar e reter. Por um lado, muitos trabalhadores qualificados saem do País. Por outro, Portugal tem estado a aumentar muito significativamente a oferta de formação a nível de licenciatura, mestrado e formação de executivos, o que está a dar uma base maior de recrutamento às empresas portuguesas.

A abordagem que se terá face à IA também será crucial. Se a cultura organizacional for de receio de que a IA pode “roubar” os empregos aos trabalhadores, então o gestor não terá muito sucesso. Cabe a este procurar criar um ambiente de abertura e de aprendizagem para que se tente aproveitar as oportunidades que a IA vai trazer, o que passa também por formação e apoio na obtenção de competências mais digitais.

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A preparação dos gestores para a IA é, no entanto, diferente nas grandes e pequenas empresas. Nas pequenas empresas – e com menor concorrência externa –, os gestores poderão recorrer essencialmente apenas ao uso de LLM nos próximos tempos, o que, porém, já permitirá evoluções na gestão, principalmente na redução de custos (por exemplo, no Marketing). Mas para um melhor uso destes modelos, os gestores terão de saber escrever e ir afinando as questões a colocar (“prompts”) para se obterem boas respostas, o que demora tempo e exige competências.

Nas médias e grandes empresas, será ainda mais relevante que haja uma visão mais ampla e uma estratégia mais integrada sobre este conjunto de tecnologias avançadas que são a inteligência artificial. Para isso, será indispensável um contínuo esforço de formação ao longo do tempo, pois a necessidade de constante actualização será crucial para as empresas serem mais eficientes, inovarem e se tornarem mais competitivas.

Termino dizendo que, se os gestores portugueses se prepararem bem e investirem de forma contínua e estratégica em IA, com um enquadramento regulatório propício, e com infra-estruturas e uma administração pública que também alavanque a IA para se modernizar, Portugal pode dar um salto significativo a nível da sua competitividade num mercado global.

Acredito realmente nisso! Espero que os portugueses também!

 

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Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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