Pelo menos 44 escolas chegam ao fim do primeiro período com falta de professores

Human Resources com Lusa
18 de Dezembro 2025 | 07:50

Pelo menos 44 escolas chegaram ao fim do primeiro período com horários por preencher e, pelo menos, 34 estão sem professor a alguma disciplina desde Setembro.

Os dados são do inquérito, realizado pela Missão Escola Pública (MEP) para fazer um balanço do primeiro período lectivo, que, foi respondido por 88 directores escolares, que representam mais de 10% das escolas públicas.

Segundo os últimos dados, metade dos 88 agrupamentos inquiridos diz ter chegado ao final do primeiro período com, pelo menos, um horário por preencher.

Os resultados divulgados confirmam as dificuldades evidenciadas nos dados preliminares divulgados pelo MEP na sexta-feira, com base nas respostas de 72 agrupamentos.

Em muitos, a falta de professores foi mais prolongada e 34 dos 88 diretores reportaram ter tido, desde Setembro, pelo menos um horário sem professor, o que significa que os alunos não tiveram professor à disciplina em falta durante todo o primeiro período.

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Em 74% dos agrupamentos, os directores demoraram mais de uma semana a preencher os horários em falta e em 47% houve horários por ocupar durante mais de um mês.

Lisboa e Vale do Tejo continua a ser uma das regiões mais afectadas, onde mais de metade dos agrupamentos inquiridos (58%) relatou ter funcionado durante os últimos três meses com, pelo menos, um horário por preencher, percentagem que sobe para 60% no Algarve.

No Centro, três em cada 10 escolas enfrentaram a mesma dificuldade, enquanto a Norte as dificuldades na contratação de professores se sentem menos, afectando, ainda assim, 14% dos agrupamentos, com disciplinas sem professor durante todo o primeiro período.

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«Estes dados confirmam que a escassez de docentes se alastrou a todo o território nacional», alerta a MEP, sublinhando que a situação é particularmente grave no primeiro ciclo, em que 12 agrupamentos (14%) reportaram ter turmas sem professor ao longo do primeiro período.

«No primeiro ciclo, a ausência de professor significa que as crianças deixam de ter aulas, com impacto directo nas aprendizagens, na avaliação e na equidade do sistema educativo», acrescenta o movimento.

A atribuição de horas extraordinárias foi apontada como principal recurso para responder ao problema (58%), e a esmagadora maioria dos directores (81%) confirmaram ter recorrido a essa opção para colmatar a falta de professores.

A este propósito, a MEP considera que o funcionamento regular das escolas está cada vez mais dependente do esforço adicional dos professores, e questiona a sustentabilidade desse tipo de resposta.

Oito em cada 10 escolas recorreram também a professores sem formação pedagógica e 65% chegam a ter 10 horários preenchidos por docentes com habilitação própria.

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«Esta prática deixou de ser excecional e passou a integrar o funcionamento regular de algumas escolas», criticam.

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