Percepção das empresas portuguesas sobre a produtividade é positiva. Mas a melhoria depende destes três factores

As empresas portuguesas classificam a sua produtividade com uma média de 6,77 valores, numa escala de zero a 10, e atribuem 6,82 valores à capacidade de adaptação das suas estruturas internas às necessidades do negócio.

Margarida Lopes
17 de Abril 2026 | 14:00

Ainda que a percepção global seja positiva, o estudo promovido pela Adecco Portugal, em parceria com o Instituto de Informação em Recursos Humanos, evidencia que a consolidação desta performance dependerá de uma maior aposta na estruturação de processos, na medição e na tecnologia.

Entre os principais sinais identificados pelo estudo está a necessidade de reforçar a gestão do conhecimento dentro das organizações. Actualmente, 47,97% das empresas inquiridas não dispõem de qualquer programa estruturado de disseminação de conhecimento, enquanto apenas 12,16% referem ter um modelo bem estruturado com embaixadores responsáveis por essa partilha. A isto junta-se o facto de só 18,92% contarem com manuais de procedimentos em todas as funções críticas, o que demonstra que, em muitos casos, o conhecimento continua demasiado concentrado nas pessoas e pouco consolidado em processos.

Também no plano tecnológico permanece um desfasamento entre intenção e execução. Apesar de 73,04% das empresas considerarem a tecnologia uma área prioritária de investimento para reforçar a produtividade, 66,39% dizem não ter qualquer programa específico para a integração de inteligência artificial. Os dados mostram, assim, que existe ainda uma margem significativa para transformar essa prioridade estratégica em planos concretos de implementação.

A medição do desempenho surge igualmente como uma área com potencial de evolução. Apenas 12,30% das empresas contam com KPI’s automáticos integrados tecnologicamente nos seus processos críticos, o que limita a capacidade de monitorização em tempo real e de tomada de decisão sustentada em dados. O reforço desta dimensão poderá ser decisivo para aumentar previsibilidade, agilidade e eficiência operacional.

Na gestão do absentismo, o estudo aponta também para a necessidade de uma abordagem mais estruturada. Actualmente, 72,30% das empresas adoptam apenas planos pontuais para lidar com este desafio e 54,73% admitem não medir o absentismo como custo directo ou indirecto. Ao mesmo tempo, perante picos de trabalho, 56,10% continuam a recorrer sobretudo a horas extra, o que sugere que a resposta operacional permanece, em muitos casos, assente no esforço adicional das equipas.

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O estudo baseou-se em 273 respostas de gestores e quadros intermédios de diferentes sectores de actividade, oferecendo uma leitura alargada sobre o grau de maturidade operacional das empresas em Portugal. Entre os inquiridos, quase 64% estão sediados em Lisboa, 68,1% são mulheres e 42% têm entre 45 e 54 anos, o que configura uma amostra maioritariamente sénior e com responsabilidade de decisão. Cerca de 30% pertencem a empresas com 51 a 250 colaboradores e 44% trabalham em organizações com presença internacional.

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