Personalidade – a base de (quase) tudo nas organizações?

Human Resources
9 de Maio 2025 | 11:00
Personalidade – a base de (quase) tudo nas organizações?

Por Pedro Hasse-Ferreira, Doutorando de Psicologia Social e das Organizações, Ispa – Instituto Universitário.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

Por Diogo Pimpão Silva, Mestrando do Mestrado em Psicologia Social e das Organizações, Ispa – Instituto Universitário.

Desde cedo, começamos a reconhecer que o trabalho é um pilar essencial na vida de qualquer pessoa, proporcionando não apenas uma compensação financeira (quando desempenhado profissionalmente), mas também um sentido de propósito e realização pessoal. Por este mesmo motivo, por esta mesma relevância, muitos jovens procuram serviços de Orientação Vocacional, como os oferecidos pela Clínica Ispa – associada ao Instituto Universitário com o mesmo nome -, para que, através do conhecimento das suas características individuais, recebam algumas luzes sobre que áreas profissionais lhes podem ser mais prazerosas ou onde poderão ter mais sucesso.

Continue a ler após a publicidade
Continue a ler após a publicidade

Ainda assim, acabamos por nos esquecer que essas características individuais, nomeadamente a Personalidade, não influenciam apenas a escolha e o início de uma carreira, mas também todo o ciclo de vida de um colaborador.

O modelo mais estudado e que, até ao momento, melhor traduz essa realidade interna e complexa a que chamamos de Personalidade, tem a designação de Big Five e ajuda-nos a compreendê-la em cinco dimensões. Cada dimensão pode ser imaginada como uma ferramenta de medida distinta, que nos dá informações diferentes sobre o mesmo objeto – à semelhança de uma régua e de uma balança, que nos dizem o peso e a altura de alguém. Neste sentido, cada indivíduo posiciona-se, de forma consistente, mas não permanente, algures entre os extremos do espectro de cada um dos traços avaliados. As dimensões de personalidade, de acordo com o modelo da Big Five Aspects Scale, agrupam-se em cinco grandes categorias comportamentais, cada uma com dois subtraços exemplificados em seguida:

  • Extroversão – Entusiasmo (“faço amigos facilmente”) e Assertividade (“assumo o controlo”);
  • Amabilidade – Empatia (“sinto as emoções dos outros”) e Cortesia (“evito impor a minha vontade”);
  • Conscienciosidade – Diligência (“não perco tempo”) e Ordem (“mantenho as coisas arrumadas/organizadas”);
  • Neuroticismo – Volatilidade (“fico chateado/a facilmente”) e Retração (“fico facilmente desencorajado/a”);
  • Abertura à experiência – Intelectualidade (“entendo facilmente ideias abstratas”) e Criatividade (“acredito na importância da arte”).

Será então esta a base necessária para compreender todo o comportamento humano e tudo o que acontece numa organização? Não. Mas, ainda assim, é um bom ponto de partida para compreender aspetos fundamentais das dinâmicas organizacionais.

Continue a ler após a publicidade

Na fase de recrutamento, por exemplo, um indivíduo com elevados níveis de extroversão pode sentir-se mais atraído por organizações mais (re)conhecidas e/ou que promovam um ambiente mais colaborativo e sociável, enquanto indivíduos com uma alta pontuação ao nível da conscienciosidade, podem destacar-se mais facilmente no processo de seleção, tendo mais possibilidades de serem o candidato selecionado – este último traço é, aliás, o mais correlacionado com o sucesso profissional. No onboarding, novos colaboradores com maiores índices de amabilidade podem ter uma maior permeabilidade à integração na nova cultura, permitindo uma integração mais bem-sucedida. Da mesma forma, a abertura à experiência pode tornar-se determinante na capacidade de adaptação a novos projetos ou a novos desafios profissionais. Quanto à retenção, continuando em termos ilustrativos, um colaborador com baixos níveis de neuroticismo poderá mais facilmente manter-se numa organização com um ambiente de trabalho de alta pressão e emocionalmente desafiante ou, no caso oposto, pode reagir de forma mais emocional a um eventual processo de mudança organizacional.

Assim, estas características individuais têm um impacto significativo em todas as fases do ciclo de vida nas organizações, por vezes positivo, outras nem tanto.

Continue a ler após a publicidade

Para que a Personalidade não seja um fado determinístico, a título individual podemos procurar boas ferramentas de desenvolvimento pessoal (alguns exemplos aqui), e como gestores de pessoas devemos procurar os instrumentos que nos permitam conhecê-las melhor e oferecer um serviço cada vez mais personalizado ao nosso cliente interno, de forma a que cada pessoa se possa destacar da melhor maneira, em momentos distintos, de acordo com a sua Personalidade.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar


Mais Notícias