Plano de Contingência do ponto vista laboral, contribui com pouco e já vem tarde

Human Resources
14 de Setembro 2020 | 11:30
Plano de Contingência do ponto vista laboral, contribui com pouco e já vem tarde

Foi finalmente publicada a tão esperada Resolução do Conselho de Ministros que veio declarar o estado de contingência a partir de 15 de Setembro.

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Por Gonçalo Pinto Ferreira, sócio responsável da área de Direito do trabalho e Segurança Social da Telles Advogados

 

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Com esta resolução mantém-se algumas obrigações que vinham já sendo definidas em anteriores diplomas, designadamente quanto à necessidade de o empregador proporcionar ao trabalhador condições de segurança e saúde adequadas à prevenção de riscos de contágio decorrentes da pandemia, podendo nomeadamente adoptar o regime de teletrabalho.

Mantém-se o regime de teletrabalho obrigatório, quando requerido por

a) Trabalhador, mediante certificação médica, se se encontrar abrangido pelo regime excepcional de protecção de imunodeprimidos e doentes crónicos;

b) Trabalhador com deficiência, com grau de incapacidade igual ou superior a 60 %.

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O regime de teletrabalho continua obrigatório, independentemente do vínculo laboral e sempre que as funções o permitam, quando os espaços físicos e a organização do trabalho não permitam o cumprimento das orientações da DGS e da Autoridade para as Condições do Trabalho sobre a matéria, na estrita medida do necessário.

Já novidade (ou nem tanto…) foi a previsão da implementação de escalas de rotatividade e horários diferenciados, cuja aplicação é obrigatória nas zonas metropolitanas do Porto ou Lisboa, bem como a permissão conferida ao empregador para alterar o tempo de trabalho ao abrigo do poder de direcção.

Olhando para estas medidas, fica-se com a estranha sensação de que, pelo menos do ponto vista laboral, esta resolução contribui com pouco e já vem tarde.

Contribui com pouco ora porque se limita a repescar regimes e instrumentos jurídicos já existentes sem os detalhar, clarificar e por isso facilitar a sua implementação, ora porque não faz mais muito mais do que replicar algumas soluções que muitas empresas já tinham decidido de mote próprio aplicar.

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Vem tarde porque vivemos um contexto em que os números da pandemia voltam a subir, em que preocupa o impacto que o regresso às aulas poderá vir a ter, e em que seria por isso expectável e desejável que o Governo tivesse mais cedo apresentado efectivas medidas que melhor preparassem as empresas para mais este embate.

Agora resta esperar que empresas e trabalhadores consigam tornar este pouco e tarde em suficiente e a tempo…

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