No âmbito da PMA Lab, estrutura criativa e experimental dedicada à investigação e desenvolvimento de novas metodologias de trabalho, a Paulo Merlini Architects tem vindo, nos últimos dois anos, a integrar progressivamente ferramentas de IA nos seus processos internos, inicialmente na visualização arquitectónica e, mais recentemente, em áreas ligadas à computação, scripting, workflows BIM e apoio à conceptualização arquitectónica.
«A Inteligência Artificial não substitui o pensamento arquitectónico, a capacidade crítica ou a sensibilidade humana. O que permite é libertar tempo e recursos para aquilo que verdadeiramente acrescenta valor ao projecto: a estratégia, a análise, a criatividade e a tomada de decisão», afirma Francisco Melo, Artista 3D, responsável pela implementação de IA aplicada à visualização arquitectónica na PMA.
Segundo Francisco Melo, a transformação mais relevante não aconteceu apenas ao nível visual, mas sobretudo ao nível estrutural: «Mais do que acelerar a pós-produção, a IA está a transformar a própria estrutura do nosso pipeline, actuando de forma analítica logo numa fase conceptual. O nosso posicionamento não é ver a IA como uma solução mágica, mas sim como uma ferramenta de validação estratégica.»
A introdução destas ferramentas levou a PMA | Paulo Merlini Architects a mapear rotinas repetitivas e clusters funcionais do seu pipeline de produção, criando um ecossistema interno de master prompts, scripts e protocolos próprios para garantir consistência visual e rigor técnico.
«Havia trabalhos que nós podíamos ter que fazer em duas semanas e hoje em dia conseguimos entregar num menor espaço de tempo. Mas isso só é possível porque existe muito trabalho invisível de investigação, desenvolvimento e curadoria técnica por trás», refere o Artista 3D.
A utilização de IA está actualmente concentrada em áreas como geração e pós-produção de imagens, estudos volumétricos preliminares, otimização de workflows internos, scripting computacional, parametrização e aceleração de processos criativos e técnicos que tradicionalmente exigiam longos períodos de execução manual.
Um dos exemplos recentes da aplicação desta metodologia surgiu durante o desenvolvimento de imagens para um projecto urbano de grande escala. O desafio passava por integrar o modelo 3D numa fotografia aérea real do terreno e, simultaneamente, testar diferentes soluções de luz e materialidade da fachada para apoiar decisões de design da equipa de arquitectura.
Paralelamente à componente de visualização, a PMA | Paulo Merlini Architects está também a explorar aplicações de Inteligência Artificial ligadas ao desenvolvimento arquitectónico e workflows BIM. A empresa encontra-se atualmente a testar integrações de IA directamente sobre modelos BIM através de sistemas MCP aplicados ao Autodesk Revit, bem como ferramentas de apoio à programação computacional, scripting, parametrização e automação técnica.
Usman Haider, architect, Computational designer e BIM specialist, destaca que a PMA está «a utilizar IA directamente sobre modelos BIM e não apenas sobre dados derivados. Isso está a mudar radicalmente a forma como interagimos com o software». Segundo Usman Haider, a utilização destas ferramentas tem permitido acelerar workflows Dynamo e reduzir significativamente a barreira técnica associada à aprendizagem de determinados processos, libertando mais tempo para a componente criativa e estratégica do projecto.
Com escritórios em Gondomar e no Porto, a PMA | Paulo Merlini Architects gere actualmente uma carteira de projectos imobiliários superior a 500 milhões de euros.














