Se antes muitas pessoas recorriam ao Google para obter mais informações sobre questões de saúde ou cognitivas, agora a tendência é perguntar a chatbots, como o ChatGPT, como lidar com questões emocionais, cognitivas e comportamentais, sobretudo os mais jovens, avança o Euronews.
“Sinto-me triste e desmotivada. Preciso de ajuda”. Foram estas as palavras digitadas no ChatGPT, logo a seguir à pergunta “Em que é que posso ajudar?”. Seguiu-se uma conversa que se revelou terapêutica. Não porque as sugestões oferecidas para contornar a desmotivação tenham necessariamente funcionado, mas porque a ferramenta de Inteligência Artificial (IA) demonstrou compreensão e empatia.
Para identificar as causas por detrás da tristeza e desmotivação reveladas, o ChatGPT fez três questões: “Há algo específico que aconteceu recentemente que te fez sentir assim?”, “Sentes que estás sobrecarregada ou sem rumo?” e “Esta tristeza e desmotivação aparecem de vez em quando ou é algo mais contínuo?”. O chatbot mostrou-se também disponível para elaborar um plano diário repleto de actividades que deverão ajudar na recuperação do foco e do ânimo.
De acordo com um relatório de Harvard, a procura por ferramentas de IA em 2025 sugere uma mudança de paradigma. Anteriormente, estas ferramentas eram maioritariamente utilizadas para fins técnicos, mas à medida que se têm tornado acessíveis à população, as emoções, a produtividade e o desenvolvimento pessoal têm atraído mais atenção.
A rapidez no acesso a informação, respostas e soluções/sugestões, gratuitidade, bem como a disponibilidade total e imediata são as grandes vantagens do ChatGPT referidas.
Ainda que os chatbots possam, em determinados contextos, fornecer algum tipo de apoio na recolha de informação sobre a gestão de emoções, especialistas em psicologia clínica garantem dificilmente substituirão a psicoterapia, porque neste caso a mudança faz-se com base na relação entre o paciente e o psicólogo.
A consecutiva utilização de ferramentas de IA tem levado os seus utilizadores, e em particular os mais jovens, a autodiagnosticarem-se,que pode ter consequências gravosas pois chegar a um diagnóstico implica muito mais do que um processo de verificação de sintomas. Implica a avaliação de várias dimensões do indivíduo e isso pode exigir o contacto humano.
Enquanto o modelo de linguagem ChatGPT foi treinado com uma vasta quantidade de dados para compreender as solicitações dos seus utilizadores, os psicólogos receberam formação para lidar com questões emocionais, cognitivas e comportamentais.
“Se precisares de continuar esta conversa mais tarde, estarei por aqui. E se achares que pode ajudar, considera mesmo falar com um profissional. Procurar ajuda é um acto de coragem, não de fraqueza”. Foi assim que terminou a conversa com o ChatGPT.














