Poderá a automação agravar a desigualdade salarial? Parece que sim

Os empregos que são dominados por mulheres são mais vulneráveis à automação, o que pode aumentar ainda mais a disparidade salarial entre homens e mulheres. Esta é uma conclusão do Hays Global Skills Index. Conheça as restantes.

 

Apesar de muitos avanços na diversidade e inclusão, continua a existir em muitas estruturas uma predominância de apenas um tipo de género. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e do Oxford Economics indicam que a maioria das posições de manager, funções qualificadas, técnicos, artesãos e operários, como operários de fábricas e máquinas, são homens, enquanto as mulheres ainda tendem a dominar as funções de apoio administrativo.

De acordo com a Hays, há uma preocupação com o facto do avanço da tecnologia, poder roubar funções que são maioritariamente realizadas por mulheres.

Vários estudos apoiam isso, pois mostram que carreiras dominadas por mulheres são mais vulneráveis à automação e à globalização. Um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) descobriu que as mulheres tendem a trabalhar em cargos que contêm uma maior quantidade de tarefas rotineiras e menos tarefas diversificadas, em comparação com os homens. Isso inclui trabalhos de secretariado, contabilidade, assistente de vendas e atendimento ao cliente.

Matilde Moreira, manager da Hays Portugal, salienta: «É assumido que a automação de tarefas rotineiras e repetitivas são inevitáveis, o que implica que as mulheres poderão ser mais vulneráveis à automação do que os homens. Com os salários já mais baixos nas profissões dominadas por mulheres, mesmo quando as diferenças na formação académica são contabilizadas, a automação de trabalhos rotineiros tem o potencial de ampliar ainda mais a disparidade salarial entre os géneros.»

Outro factor que pode contribuir para uma crescente disparidade salarial entre os géneros, segundo a Hays, é a utilização da Inteligência Artificial para seleccionar candidatos para um determinado emprego e criar uma lista restrita de profissionais para entrevistar.

De acordo com o relatório do Fórum Económico Mundial percebe-se que as mulheres representam apenas 22% desses profissinais.

Matilde Moreira menciona o exemplo de um algoritmo que pode interpretar a falta de mulheres seniores no mundo corporativo, como um reflexo de níveis mais baixos de competências e, portanto, resultar na impossibilidade de as mulheres serem seleccionadas para as short-lists para cargos seniores.

 

Aceitar a diversidade na força de trabalho de todas as formas
Segundo a Hays, resolver a questão de certos cargos serem dominados por um género não ajudará apenas a reduzir a disparidade salarial entre os géneros, como também aumentará o conjunto de talentos escolhidos para serem apresentados aos empregadores.

A responsável conclui: «A resolução da divisão das funções dominadas por género não só ajudará apenas a reduzir a disparidade salarial entre homens e mulheres, como também ajudará a aumentar a lista de talentos escolhidos para apresentar aos empregadores. As organizações poderiam oferecer esquemas de retorno ao trabalho para mães que deixaram o emprego, ajudando a incentivar a participação na força de trabalho. Como parte disso, tanto os governos como as empresas devem intensificar programas que incentivem as mulheres a procurar carreiras em setores tradicionalmente dominados por homens, como a IT ou engenharia.»

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